Informação é usada como ferramenta para salvar mães e bebês em comunidades africanas

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Foto: Mamaye
Foto: Mamaye

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – Garantir a saúde das mães africanas e dos seus bebês (o futuro do continente) é uma missão urgente. Para livrá-los da mortalidade, o povo é convocado a um trabalho que parte da conscientização. Nesta caminhada, a informação é a principal medida de uma organização não-governamental que identifica os heróis (dentro da própria comunidade) para salvar vidas.

– Nossa campanha se concentra tanto na conscientização quanto na atitude das pessoas. Queremos inspirar os moradores a ajudarem as mães e os bebês a sobrevivem à gravidez e ao parto. Todo mundo pode fazer alguma coisa tecnicamente falando ou, simplesmente, encorajar as mulheres a participarem de cuidados pré-natais – disse em entrevista exclusiva ao Por dentro da África,  a responsável de comunicação Rachel Haynes sobre o programa Mamaye do Evidence for Action, financiado pelo Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional.

MamaYe foi lançada em fevereiro deste ano em cinco países africanos (Gana, Malaui, Nigéria, Serra Leoa e Tanzânia) com o objetivo de frear a mortalidade de mães e bebês. Para conter estatísticas trágicas, o trabalho que parte de cerca de seis pessoas, em cada sede, exige uma força-tarefa que reúne toda a sociedade.

Mamaye - Divulgação
Mamaye – Divulgação

Rachel acredita na mudança e na responsabilidade de todos, já que a contribuição vem de diversos segmentos: do motorista do táxi que leva uma mulher para a clínica no meio da noite, dos jovens que doam sangue, dos políticos que priorizam a saúde materna, dos grupos comunitários, das jovens parteiras que dedicam suas vidas às mães e bebês…

Segundo o UNICEF, há 350 mortes maternas para 100 mil nascimentos em Gana, país de cerca de 25 milhões de habitantes, localizado entre Burkina Faso, Togo, Guiné e Costa do Marfim. Essa dado se apresenta como uma ferida maior quando comparado à realidade do Reino Unido, que registra 12 mortes maternas para 100 mil nascimentos.

Mamaye - Divulgação
Mamaye – Divulgação

De acordo com a organização, apenas na África Subsaariana, diariamente, mais de 440 mulheres perdem suas vidas por causas relacionadas à gravidez e 3.040 recém-nascidos morrem. Mais de 800 mil crianças poderiam ser salvas, se elas fossem, por exemplo, amamentadas uma hora após o nascimento e nos seis primeiros meses de vida.

Busca de parceiros locais

– Precisamos trabalhar com um grande número de diferentes parceiros para atingir, especialmente, as áreas rurais (onde as taxas de mortalidade são geralmente as mais elevadas) e com o governo, para ampliar os nossos esforços e conectar as comunidades – explicou  Sara Bandali, especialista em saúde materna do programa.

A campanha ainda está no estágio inicial, mas Sara se diz muito satisfeita com o entusiasmo de centenas de ativistas que encorpam o coro. A cada dia, mais pessoas se envolvem com a campanha, desde a primeira-dama de Serra Leoa, Nyama Koroma, ao rapper Kao Denero! Em Gana, o rapper Asem é também um dos nomes presentes na campanha.

Além das muitas iniciativas da Mamaye, a tecnologia também se mostra como uma importante ferramenta. A partir de um programa de celular, as pessoas podem ter acesso às informações de saúde como a localização do banco de sangue mais próximo.

Foto: Mamaye
Mamaye – Divulgação

– Colocamos a informação nas mãos de pessoas com vontade de fazer a mudança. Com a revolução das telecomunicações na África, conectamos outros com a mesma ambição – contou Sara, explicando que a rede AfriCell doou 10.000 mensagens de texto para a organização usar em Serra Leoa, apesar de nem todos terem acesso ao celular.

Nos cinco países, a organização promove encontros, sobretudo em comunidades rurais, onde médicos, especialistas e parteiras participam. Há outros países, como Quênia, Uganda e Madagascar, que manifestaram interesse em ter sua própria campanha Mamaye.

– Cada país apresenta desafios, mas vemos isso como uma oportunidade para tentar algo novo e se adaptar e adequar as respostas às condições e configurações locais. Trabalhamos com líderes religiosos que têm grande influência em suas comunidades.

Realidade para as crianças até os 5 anos de idade

Mamaye - Divulgação
Mamaye – Divulgação

No relatório da UNICEF, divulgado no dia 13 de setembro, no ultimo ano, cerca de 6,6 milhões de crianças morreram antes de seu quinto aniversário, o que corresponde a 18.300 por dia, aproximadamente. Grandes disparidades na sobrevivência infantil existem entre os países. Enquanto Luxemburgo registra duas mortes por 1.000 nascidos vivos, Serra Leoa conta 182 mortes.

Na África Subsaariana, uma em cada 10 crianças nascidas ainda morre antes do seu quinto aniversário, cerca de 16 vezes a taxa média nos países de alta renda. Em 2012,  havia 16 países com taxa de mortalidade (até os cinco anos) de 100 mortes por 1.000 nascidos vivos.

Mamaye - Divulgação
Mamaye – Divulgação

Na África Subsaariana, os cinco países com situação mais crítica são: Serra Leoa (182), Angola (164), Chade (150), Somália (147) e República Democrática do Congo (146). Na mesma região, os melhores colocados são Seychelles (13 mortes), Mauricius (15) e Cabo Verde (22).

As principais causas para essas mortes são pneumonia, diarreia e malária. Três doenças facilmente diagnosticadas e fáceis de serem tratadas.

– Queremos ajudar a estimular uma mudança duradoura nos serviços de saúde materna e neonatal, o que deve beneficiar milhões de mulheres na África que dão à luz a cada ano – destacou Sara.

Os homens na mudança

Apoio à doação de sangue - Mamaye
Apoio à doação de sangue – Mamaye

Assim como as mulheres, eles são convocados e homenageados pelo comportamento em prol da comunidade. Rachel acredita que os homens são tão importantes quanto as mulheres para melhorar a sobrevivência materna e neonatal.

– Homens famosos escreveram canções para a campanha, centenas deles já doaram sangue e muitos outros continuam a fazer a sua parte na luta pela sobrevivência materna e neonatal – afirmou Rachel.

Abdullah, um dos heróis da campanha Mamaye
Abdullah, um dos heróis da campanha Mamaye

Uma maneira de reconhecer o trabalho de mulheres e homens que se dedicam à causa é a homenagem e produção de pôsteres, onde eles recebem o título de heróis como Abdullah, de Kano, Nigéria. Ele aprendeu muitas coisas sobre os cuidados com gestantes e bebês e hoje ajuda as mulheres de sua comunidade.

– Foi depois de aprender e ficar informado sobre a importância das mulheres que dão à luz no hospital que eu levei minha esposa para o hospital. Eu tenho certeza de que ela tem tudo o que foi exigido de mim para cuidar dela, mas muitas pessoas não têm sorte. Quando você está informado, você deve fazer o que é certo e parar de contar com a sorte.

Este conteúdo pertence ao Por dentro da África. Para reprodução, entre em contato com a redação

Por dentro da África


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2 COMENTÁRIOS

  1. Do grupo “ABORTO NÃO VIDA SIM” no Facebook. Em todo o mundo o aborto continua a ser criminosamente praticado. pessoas cegas e sedentas de “de liberdade individual”, não só pretendem a sua impunidade, como também a aprovação do estado, para assim o serviço Nacional de Saúde pagar os seus crimes com o dinheiro dos contribuintes. São pessoas sem personalidade própria. Controladas pelas organizações internacionais, que as programam e as encorajam. Essas organizações, fundadas por pessoas com mentes enfermas, estão por detrás desta conspiração contra a vida. Se a vida não for respeitada e protegida no ventre materno, não o será em nenhuma outra ocasião, pois o seu valor é o mesmo. Se dermos o direito á mãe de matar seu filho, não nascido, por se ter tornado num estorvo para ela, seremos forçados num futuro bem próximo a dar direito aos filhos de matarem seus próprios pais (eutanásia), por se terem tornado num estorvo para eles. Ambas as situações são absurdas, a solução é a vida, não a morte, retire ao estado o direito. por ele usurpado ao povo, de matar os nossos filhos. Diga sim há vida!