Acompanhe o especial Por dentro da África: Viajando por Benim, Togo e Gana!

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Em uma série de reportagens, o Por dentro da África convida você a participar de uma enriquecedora experiência e imersão na cultura do Benim, Togo e Gana

Bruno e Bernardo no Benim - Arquivo pessoal
Bruno e Bernardo no Benim – Arquivo pessoal

Por Bruno Pastre Maximo e Bernardo da Silva Heer, Por dentro da África

Lomé, Togo – Somos dois apaixonados pela África. Não essa África catastrófica e miserável, de que tanto se fala, mas pouco se conhece. Amamos um continente marcado pela tradição, diversidade cultural, intenso contato humano e inúmeros contrastes.

Partimos em dezembro de 2013 e, durante 40 dias, rodamos por 1700km em Benim, Togo e Gana. Pudemos vivenciar alguns dos momentos mais incríveis de nossas vidas, e temos certeza de que, assim como nós, muitas outras pessoas podem ter interesse em conhecer esses países, mas talvez esbarrem na dificuldade de obtenção de informações.

Nesse sentido, decidimos escrever uma pequena série de relatos e dicas sobre nossa experiência no oeste africano, acreditando que muitos possam se beneficiar de nossos erros e acertos e, quem sabe, se sentirem motivados a verem com seus próprios olhos esse mundo que poucos brasileiros sabem que existe… Organizaremos o relato por cidades para facilitar o acesso, bem como uma introdução mais genérica que vale para todos os lugares que visitamos.

Vistos

bruno 7Togo e Benim: é possível conseguir o visto nas fronteiras, nos aeroportos internacionais ou dentro do Brasil. No caso do Togo, nos consulados honorários de São Paulo e do Rio de Janeiro (http://www.consuladotogo.org.br/). Para o Benim, a dica é no consulado no Rio de Janeiro e Bahia ou na embaixada em Brasilia (www.beninemb.org.br/). Apesar da possibilidade de fazer os respectivos vistos ao entrar no Togo e Benim, recomendamos que você faça o visto no Brasil, para evitar possíveis (e até prováveis) problemas com as autoridades locais.

Gana: as chances de se conseguir o visto em Gana são muito reduzidas e a mercê da boa vontade das autoridades locais. Portanto, é altamente recomendável que você garanta o visto ainda no Brasil, através da embaixada em brasilia (http://www.consulados.com.br/gana/#embaixadas).

Companhias aéreas

Recomendamos ir com a Ethiopian Airlines (http://www.flyethiopian.com/en/default.aspx), partindo do Rio de Janeiro, com escala em São Paulo, e chegando em Lomé, a capital do Togo (com destino final à capital da Etiópia). Sendo o único voo direto da América do Sul para a Africa Ocidental, seu preço e tempo de viagem são reduzidos, e a empresa é muito boa.

Já em terras africanas…

Hospedagem

Monumento a independência - Acra, Gana - Arquivo Pessoal
Monumento a independência – Acra, Gana – Arquivo Pessoal

Hotéis: Assim como na maior parte do continente africano, a rede de hospedagem desses países reflete a desigualdade social. Existem poucos hotéis de alto padrão e muitos de categoria inferior. No entanto, em todas as cidades que estivemos, havia, no mínimo, um hotel com água encanada e luz elétrica. Água quente e ar condicionado são raridades por onde passamos.

Outros tipos de acomodação: Por boa parte de nossa viagem estivemos hospedados em casas de “amigos” que conhecemos pela internet (www.couchsurfing.org) ou nas próprias cidades onde estávamos. Nos locais que visitamos, tivemos a sorte de sermos extremamente bem recebidos e contamos com a imensa hospitalidade de inúmeros togoleses, beninenses e ganenses, que nos convidaram para dormirmos em suas casas. Foram poucas as casas que contavam simultaneamente com água encanada e luz elétrica, o que nos proporcionou vivenciar a realidade de suas famílias. Vale mencionar que, mesmo nos locais mais inóspitos, sempre foi possível carregar o celular e utilizar água de poço.

Guias e livros de viagem

Ao procurar mais informações sobre os países, os sites da wikipédia e os fóruns de viagens de mochileiros se mostraram pouco úteis. A principal fonte de informação sobre o Benin e Togo foi o guia West Africa, do Lonely Planet de 2006 que, mesmo desatualizado com relação aos preços, nos forneceu o essencial para programar nossa viagem. No caso de Gana, existem guias mais recentes e atualizados, com informações completas e específicas. Os sites dos governos se mostraram pouco confiáveis. O melhor mesmo é procurar informações com os moradores locais, através de sites como o Couchsurfing e fóruns de viagem internacionais.

Alimentação

Trajeto de barco até Ganvie, Benim, Arquivo Pessoal
Trajeto de barco até Ganvie, Benim, Arquivo Pessoal

Todo cuidado é necessário para evitar doenças adquiridas por alimentos e água contaminada. O padrão de higiene é muito diferente, quando comparado ao da maioria das cidades no Brasil ou Europa, bem como o tipo de comida. Na maioria das vezes, é possível encontrar nos restaurantes alimentos mais próximos dos nossos costumes, como arroz, feijão, e frango frito e alimentos industrializados básicos, como pão e bolachas/biscoitos. O mais confiável, sempre, é comprar a água engarrafada, embora tenhamos bebido muita água em saquinho industrializado (pure water) e não tenhamos passado mal, apesar da procedência desconhecida.

Transporte

Para os transportes intermunicipais, existem linhas de ônibus entre as principais cidades dos três países, sendo muito bons, no caso do Togo e do Benim, aqueles administrados pela empresa de correios (la Poste) e outras grandes empresas. As informações sobre horários e qualidade da empresa nem sempre são muito acessíveis e, muitas vezes, não existe escritório formal para venda de passagens, comercializadas na rua, em pontos específicos. Pergunte sempre, e mais de uma vez, para ter as informações necessárias.

Muito mais frequente do que os ônibus, são os Micro-ônibus e os chamados “táxis”, que são veículos particulares utilizados para transportar passageiros, muitas vezes acima da capacidade adequada. Um problema desses últimos é que não tem horário fixo para sair, e os motoristas esperam que o veículo fique lotado para partirem, o que pode ser rápido ou não. Acredite, é possível chegar em qualquer local dos três países usando os transportes citados.

Centro de Cotonou, Benim, Arquivo Pessoal
Centro de Cotonou, Benim, Arquivo Pessoal

Dentro das cidades no Togo e Benim, o transporte mais comum é o moto-táxi (zemidjan), muito barato, porém inseguro (falta de capacete, direção perigosa, etc). Os preços devem ser combinados antes da corrida para evitar sustos. Vale a pena perguntar, antes, os preços para um morador local, pois se pratica muito o “preço para branco”. Em Gana, os automóveis são predominantes como táxis.

Aproximando-se dos moradores locais

O histórico colonial faz com que haja um certo preconceito em relação aos brancos, num primeiro momento. No entanto, existem algumas atitudes que ajudam a romper esta barreira. Mostrar que você quetem interesse e respeita a cultura deles abre inúmeras portas. Como exemplos: cumprimentos e saudações na língua local; frequentar os mesmos espaços; jamais tirar fotos sem pedir autorização e praticar costumes locais (comida, vestimentas, danças e etc).

Condições de saúde e prevenção

Antes de embarcar, faça uma consulta com um médico, se possível, um especialista em doenças tropicais. Este atendimento pode ser encontrado em muitos hospitais ligados às universidades federais. Como algobásico, é aconselhado: tomar as vacinas, levando o certificado internacional de vacinação de febre amarela; utilizar muito repelente (de preferência Exposis); e tomar, diariamente, durante sua estadia na África, o remédio de profilaxia de malária indicado por seu médico. Também é indicado levar um kit básico de remédios e fazer um seguro de saúde para cobrir eventuais despesas, pois todos os tratamentos são pagos e caros. Nas capitais, é possível encontrar tratamento relativamente bom para as doenças mais comuns.

Guias/agentes de turismo

Monumento à Libertação Nacional - Lomé, Togo
Monumento à Libertação Nacional – Lomé, Togo

Na maioria das cidades, existem serviços de guias turísticos para auxiliar interessados em conhecer os pontos turísticos principais. No Benim e Gana, existem escritórios de turismo nos centros das cidades, que podem ser úteis para conseguir as principais informações, embora a qualidade dos serviços varie entre as cidades.

Língua

No caso do Benim e do Togo, praticamente todas as pessoas com mais de 15 anos de idade falam francês fluentemente, porém, quase ninguém fala inglês, com exceção de guias de turismo. É recomendável chegar a esses países com um domínio básico do francês, mas, com esforço, é possível virar-se só com inglês. No caso de Gana, praticamente todos falam inglês fluentemente, sem maiores problemas.

Não perca, amanhã, a nossa reportagem em Cotonou!

Por dentro da África


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