Seção Teses e Monografias – Gentes do Mato: Os “Novos Assimilados” em Luanda

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Luanda_- wikipedia
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Por dentro da África

Tese de Doutorado: Gentes do Mato: Os “Novos Assimilados” em Luanda (1926-1961)

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – Programa de Pós-Graduação em História Social

Aluno: Washington Santos Nascimento

São Paulo – Esta tese tem por objetivo compreender como angolanos do interior utilizaram-se das reduzidas possibilidades de ascensão social criadas pelo Estatuto do Indigenato (1926-1961) para constituírem-se assimilados em Luanda. O acesso ao mundo das letras europeu conferiu-lhes especificidades que nos permitem considerá-los uma elite em relação ao universo social angolano, ou seja, uma minoria, que, em determinada sociedade e contexto histórico, teve certos privilégios em função de algumas qualidades adquiridas por meio da instrução1.

Eles não se viam nem atuavam como grupo, apesar de possuírem elementos em comum, como a origem rural, serem “pretos”, terem adquirido escolaridade formal nas missões religiosas (sobretudo, protestantes) e o fato de não terem vínculos familiares, como as elites crioulas existentes em Luanda, os “antigos assimilados”. Por conta dessa diferença em relação aos crioulos, foram denominados pela historiografia relativa a Angola como “novos assimilados”, sobretudo por Cristine Messiant (1989, 1998, 2009).

Em um texto clássico para a história social angolana do século XX, Luanda (1945-1961): colonisés, société coloniale et engagement nationaliste, fruto de sua tese de doutorado, Messiant (1989) define a existência de uma distinção dentro das elites nativas luandenses: de um lado, os “antigos assimilados”, geralmente descendentes de famílias crioulas secularmente instaladas em Luanda, e, por outro, os “novos assimilados”, oriundos do interior de Angola e sem laços biológicos com as famílias crioulas. Apesar da relutância em utilizar esses termos, por eles não terem uma conotação jurídica, e, sim, cultural, acreditamos que eles são úteis e operacionais para entendermos a realidade luandense de meados do século XX.

A hipótese que defendemos é a de que, em meados do século XX, em decorrência da maior presença de portugueses e angolanos, oriundos, sobretudo do norte angolano, e da proclamação do Estatuto do Indigenato (1926-1961), acentuou- se, na capital de Angola, uma cisão entre a “cidade”, representada em grande parte

pelos portugueses, mas também pela elite crioula, e o “mato”, de onde se originaram os “indígenas” e os “novos assimilados”. Estes últimos foram os que mais se expressaram em entrevistas, depoimentos, autobiografias, memórias e obras literárias. É também possível pensarmos esse “novo assimilado” em articulação com o universo português numa relação de subjugação e discriminação, que o fazia construir discursos e práticas cotidianas de resistência à metrópole.

A baliza cronológica de nossa pesquisa (1926 – 1961) foi selecionada em função do Estatuto do Indigenato, promulgado em 1926 e extinto em 1961. Apesar de a ideia de “assimilado” existir antes de 1926 e ser uma matriz de diferenciação depois de 1961, foi somente nesse período que existiu o status legal juridicamente constituído.

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