Conquista de Angola: a importância do “Leão de Ouro” em Veneza

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Com o projeto “Luanda, Cidade Enciclopédica”, o pavilhão de Angola foi o grande vencedor, no início deste mês, da Bienal de Veneza, há mais de um século, um dos mais importantes e prestigiados eventos culturais e artísticos do mundo. Exposta no Palazzo Cini, construção do século 16, a mostra angolana reúne 23 fotografias de objetos de Luanda. Confira o artigo do historiador angolano Patrício Batsîkama

Por Patrício Batsîkama

A ministra angolana da Cultura, Rosa Cruz e Silva, recebendo o prêmio em Veneza - Foto: Portal AngolaLuanda – Esta conquista é estratégica. Arte sendo uma modalidade das mentes evoluídas, Veneza provou que em Angola já se vive em PAZ. Este prêmio chamará atenção aos investimentos artísticos internacionais (e não sei se poderemos corresponder com a nossa fraca qualidade e escassez das instituições promocionais e ausência de políticas no empresariado artístico privado).

Angola é agora obrigada a integrar as arenas internacionais, obedecendo os padrões universalmente postulados (ensino artístico infantil; ensino médio; ensino superior; promoções: Bienais, Trienais, Festivais, etc; mecenas e concorrências; instituições disciplinares e pesquisas científicas da Arte com bolsa de estudo ou de criação: na estética, História da arte, por exemplo).

Chegou a hora de fazer perceber ao Executivo em geral que o Ministério da Cultura precisa de: (1) mais meios financeiros, pois já não faz sentido ver o seu orçamento sempre na cauda dos interesses nacionais. Assim, vamos criar riquezas a partir dos produtos culturais qualificando o capital humano que temos; (2) descentralizar-se: é preciso redefinir a “economia social” no seio do MiniCult com autonomia administrativa e diversificá-la, criar fundos para as associações e fundações com fins culturais e libertar a gestão de cada uma delas onde MiniCult fiscalizará regularmente.

Finalmente, este prêmio implica em criar políticas. Significa dizer que, se no passado o MiniCult tinha a reputação de combater os quadros qualificados, importa perceber que a boa política nunca está nesta linha. Será interessante se o próprio MiniCult mapear a qualidade da sua elite nacional e provincial e procurar saber como geri-la. Num mundo neo-capitalista, as prioridades seriam: (i) enriquecer as qualidades do capital humano (elite cultural) para avolumar o seu rendimento; (ii) proporcionar o “bem-estar” individual na harmonia profissional: criar política em dar “crédito” não-monetário, mas em construir os ateliês ou estúdios àqueles que possam engrandecer a Cultura nacional.

Patrício Batsîkama é historiador, filósofo e doutorando em antropologia pela Universidade Fernando Pessoa, em Portugal.

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