Brasil e países africanos debatem proteção social em fórum na África do Sul

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Proteção Social – Jane Labous – IRIN

Com informações da ONU

Mais de cem representantes da África do Sul, Brasil, Gâmbia, Malauí, Zâmbia e Zimbábue reuniram-se dos dias 15 a 17 de dezembro, na Cidade do Cabo, para discutir o papel dos sistemas de proteção social na erradicação da fome. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU também entraram na pauta do fórum internacional.

Presente no encontro, o diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Daniel Balaban, destacou que a assistência aos mais vulneráveis é fundamental para garantir a igualdade de direitos nas sociedades. “Mas precisamos ir além da proteção social e alcançar o desenvolvimento social para criar oportunidades e acesso a recursos de forma que todos sejam capazes de se sustentar”, enfatizou.

A diretora do escritório regional do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para o sul da África, Lola Castro, ressaltou a importância da cooperação entre países, sobretudo em momentos de crise como a atual seca que atinge parte do continente. “Precisamos trabalhar uns com os outros para garantir segurança alimentar durável”, disse.

O representante do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Caio Rocha, explicou que “o Brasil oferece crédito, acesso a água e assistência técnica a agricultores familiares, que fornecem a maior parte dos alimentos que consumimos”.

O pesquisador Stephen Devereux, do Institute of Development Studies, chamou atenção para as vantagens de programas integrados de transferência de renda, que são mais eficazes do que a entrega direta de recursos financeiros.

Segundo o especialista, a transferência de renda por si só tem pouco impacto sobre a nutrição infantil. Já quando esta é integrada à oferta de educação, saúde, acesso a água e saneamento, os resultados são bem maiores. Para Devereux, “alcançar a segurança nutricional requer uma abordagem holística que dê conta de todos os determinantes da desnutrição”.

O fórum na África do Sul foi organizado pelo Centro de Excelência contra a Fome, a União Africana e o Economic Policy Research Institute, com apoio do Ministério do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (DFID). A iniciativa é parte de uma parceria entre a pasta do governo britânico e o organismo do PMA com sede no Brasil para fortalecer a cooperação Sul-Sul.