Livros para a África: projeto vai construir bibliotecas em Angola e Moçambique

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Moçambique - Foto de Max Schwoelk Fotografia
Moçambique – Foto de Max Schwoelk Fotografia

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – Um grupo de apaixonados pela leitura vai cruzar o Oceano Atlântico para um intercâmbio de educação e cultura, de olho no futuro! Mais de 3000 livros chegarão às mãos de milhares de crianças de Angola e Moçambique em um projeto chamado “Livros para a África”, que também vai construir e manter duas bibliotecas em comunidades de Luanda (Angola) e Boroma (Moçambique).

– Esse projeto vai beneficiar diretamente mais de 3 mil crianças/adolescentes, mas a ideia é multiplicar esse número a partir da inauguração prevista para ocorrer ainda no segundo semestre de 2014 – disse, em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Roberto Pascoal, fundador da grife social Omunga, que significa união em umbundo (uma das línguas de origem bantu mais faladas em Angola).

Moçambique - Foto de Max Schwoelk Fotografia
Moçambique – Foto de Max Schwoelk Fotografia

Após concluir, em 2013, a iniciativa “Escolas do Sertão”, com a inauguração de duas bibliotecas para mais de 800 crianças e de capacitar professores locais em municípios do Piauí, nordeste do Brasil, o projeto de educação embarca em novo desafio intercontinental.

– As escolas do programa para a África tiveram como base indicadores de educação e relações com agentes locais, que são corresponsáveis pela execução e continuidade do projeto iniciado no Brasil pelo fato de sermos países de língua portuguesa com fortes relações históricas, comerciais e culturais – justifica Roberto, um entusiasta do empreendedorismo social.

Moçambique - Foto de Max Schwoelk Fotografia
Moçambique – Foto de Max Schwoelk Fotografia

Segundo a UNESCO, em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano, Angola está em 148º lugar, e Moçambique, em 185º, dentre 186 países pesquisados. Sobre a taxa de alfabetização, Angola soma 67,4% e Moçambique 38,7%.

Os dois países compartilham com o Brasil parte de sua cultura e história e muitas de suas dificuldades sociais encontradas, principalmente, na educação. O Brasil é o oitavo país com o maior número de analfabetos em todo o mundo (cerca de 13 milhões), segundo o último relatório da UNESCO.

Entre 2000 e 2011, a taxa de analfabetismo mundial entre adultos caiu 1%. O número de adultos analfabetos em 2011 era 774 milhões, e a projeção é que até 2015 esse número caia para 743 milhões.

Planejamento

Roberto Pascoal monitorando a construção da biblioteca em Angola - Divulgação
Roberto Pascoal monitorando a construção da biblioteca em Angola – Divulgação

Com a previsão de captar um total de R$ 320 mil ao longo de seis meses (o projeto foi lançado em 14 de abril), a nova missão da Omunga vai construir bibliotecas de 100 m2 atreladas às escolas, o que ajuda a ter segurança nos investimentos e, principalmente, na conservação e manutenção das bibliotecas.

O empreendedor social conta que uma das bibliotecas será construída na escola São Marcos, que atende mais de 1500 crianças e adolescentes do bairro Capollo 2, periferia de Luanda. As responsáveis pela escola são religiosas brasileiras (da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas Ingolstadt) que vivem na região desde 2008. Elas também são responsáveis pelo Centro Infantil Comunitário, que atende 110 crianças da mesma região. Por conta da proximidade com as escolas, elas participam diretamente da captação de recursos para construção da biblioteca por meio de associações e ONG’s internacionais.

Simulação da escola em Moçambique

– Em Moçambique, também contamos com o auxílio da mesma congregação, presente no país desde 2012. As irmãs auxiliam nas intermediações entre comunidade e poder público. Boroma, na província de Tetê, é uma região de difícil acesso, as famílias vivem da subsistência, e o engajamento comunitário é pleno, sendo que a própria comunidade já iniciou a construção da biblioteca – comemora o brasileiro que já visitou Angola 13 vezes e Moçambique três vezes.

Roberto detalha que a grande maioria das obras será de literatura infantil, mas também haverá livros de geografia, história do mundo, saúde, sexualidade e sucesso profissional. O mais importante é que esse conhecimento não ficará restrito às quatro paredes das bibliotecas! O conhecimento deve e vai circular!

– É comum que as escolas permitam que as crianças levem os livros para casa. Mas, é importante ressaltar que as bibliotecas atenderão não somente crianças das escolas beneficiadas, mas toda comunidade da região! Desta forma, intensificamos essa corrente de conhecimento.

Livros em trânsito

Moçambique - Foto de Max Schwoelk Fotografia
Moçambique – Foto de Max Schwoelk Fotografia

A ideia inicial do projeto era comprar os livros em Angola e Moçambique. Mas Roberto conta que está estudando a viabilidade de importá-los de Portugal e, por meio de campanhas em universidades portuguesas, receber doações de livros.

– Cada comunidade receberá sua coletânea, após uma avaliação criteriosa. Em nossa equipe, temos uma bibliotecária por formação e com mais de 30 anos de experiência, que nos auxilia na criação de acervo, respeitando, profundamente, as características e necessidade de cada comunidade.

Viabilização e participação

kit
Kit “Livros para a África” – Foto de Giu Vicente

“Livros para África” poderá contar com a participação de qualquer pessoa a partir do kit do projeto, que custa R$ 49,90 e pode ser adquirido pelo site Omunga. Toda a planilha de gastos, acompanhamento das obras e prestação de contas será feita pelo site.

– Até o momento, levantamos com ONG internacional e a Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas Ingolstadt o valor de US$87 mil dólares. Esse valor foi usado para construir a biblioteca de Angola. Para custearmos livros, computadores, móveis, viagens e despesas administrativas, precisamos vender 6342 camisetas, que somarão aproximadamente R$320 mil reais. Estamos muito otimistas – finalizou Roberto.

Por dentro da África


3 COMMENTS

  1. Eu estou acompanhando a vossa iniciativa é de louvar, também tenho o mesmo projeto de suprir essa lacuna na minha comunidade e é inadmissível que a partir do Benfica até aos Ramiros não encontras uma Biblioteca sequer e depois reclama-se que a juventude está a beber muito. Em todos os cantos encontra-se bebidas. Eu poderei brevemente colocar uma biblioteca nos perímetros entre Benfica e Ramiros.

    • Eu quero demais estar atenta tanto ao passado africano no Brasil e mais ainda o que ocorre agora em África q/fala em língua portuguesa devido a ser a língua que falo tive o sonho de conhecer Moçambique há muitos anos quando era estudante mas não deu.