Agência da ONU auxilia ações para tratamento de HIV em regiões da África

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Maputo, Moçambique – Foto – Natalia da Luz

Com informações da ONU

Na África, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) atua em parceria com diferentes países para identificar localidades onde as ações contra o vírus e a doença precisam ser intensificadas. As iniciativas da agência querem garantir que o continente consiga implementar a Aceleração da Resposta à Aids a fim de acabar com a epidemia até 2030.

Entre os objetivos previstos pela iniciativa do UNAIDS, está a chamada meta 90-90-90, que deve ser cumprida até 2020. A medida prevê que, num prazo de cinco anos, 90% das pessoas vivendo com HIV estarão diagnosticadas; 90% destes indivíduos diagnosticados como soropositivos terão acesso ao tratamento antirretroviral; e 90% dos que receberem a terapia apresentarão uma carga viral indetectável.

Outros alvos da Aceleração da Resposta incluem o fim de novas infecções entre crianças e o fornecimento para 90% das mulheres e homens – os jovens e as pessoas que vivem em ambientes de alta prevalência – de prevenção combinada do HIV e de serviços de saúde sexual e reprodutiva.

“O mundo só vai conseguir acabar com a epidemia de Aids até 2030 se a aplicação dos recursos for feita de forma inteligente e focada, identificando as pessoas e lugares mais necessitados”, explicou o diretor-executivo adjunto do UNAIDS, Luiz Loures.

“Nós temos que alcançar as pessoas afetadas pelo HIV onde quer que estejam e quem quer que sejam elas, inclusive as que vivem na África Ocidental e na África Central”, destacou.

Um levantamento publicado pela organização Médicos Sem Fronteiras neste mês revelou que essas regiões do continente africano registram uma a cada cinco novas infecções por HIV no mundo todo e uma a cada quatro mortes relacionadas à Aids. Quase metade de todas as crianças recém-infectadas com o vírus no planeta reside nas porções central e ocidental da África.

Estimativas indicam que 5 milhões de pessoas vivendo com HIV nos 25 países dessas regiões não têm acesso aos medicamentos para o HIV. O número é próximo ao total de indivíduos que vivem com o vírus na África Central e Ocidental – 6,6 milhões. Mais da metade dos casos são registrados na Nigéria.

Ao lado da República Centro-Africana e da República Democrática do Congo, o país é um dos seis países em todo o mundo que enfrentam uma ameaça tripla de acordo com a MSF: alta incidência de HIV, fraca cobertura do território por serviços de tratamento e reduções pequenas ou nulas no número de novas infecções.

Os dados da MSF revelaram que um grande contingente de pessoas afetadas pelo HIV vive em torno de áreas urbanas. Entre as pessoas mais vulneráveis à infecção, estão os homens que fazem sexo com homens, os profissionais do sexo e os usuários de drogas injetáveis.

Para alcançar as metas da Aceleração da Resposta, o UNAIDS acredita que é essencial uma abordagem baseada em direitos e capaz de atingir todos os que precisam de atendimento. O Programa chama atenção para a necessidade de superar, principalmente, as barreiras do estigma e da discriminação que continuam impedindo as pessoas de ter acesso aos serviços de HIV.

A MSF alerta que o esgotamento dos estoques de diagnósticos e medicamentos, a dificuldade de acesso às instalações de saúde e a baixa qualidade dos serviços são alguns dos grandes obstáculos à testagem e ao tratamento do HIV.

Segundo o UNAIDS, a solidariedade global e o compartilhamento de responsabilidades também serão fundamentais para responder aos desafios específicos enfrentados na África Ocidental e na África Central.