Podcast – Narrativas e práticas de mulheres cabo-verdianas, com Celeste Fortes

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O episódio número 15 do Por Dentro da África Podcast foi até Cabo Verde e conversou com Celeste Fortes, docente e investigadora na Universidade de Cabo Verde e doutora em Antropologia Social e Cultural pela Universidade Nova de Lisboa.

Celeste estudou as dinâmicas de gênero entre as mulheres cabo-verdianas, as chamadas relações intragénero que se referem às relações entre as próprias mulheres – o “ser mulher”. Um foco pouco abordado nas relações de gênero e que vem desconstruir o modelo binário e conflituoso de análise de relação mulher/homem.

Na sua tese, a investigadora mostra um rompimento intergeracional entre mães e filhas, fruto da importância crescente da educação na vida familiar. Celeste explica que atualmente o investimento na educação é o maior recurso que Cabo Verde possui e atenua a falta de recursos minerais e até da chuva.

Segundo Celeste Fortes, metade das famílias cabo-verdianas são matrifocais e muitas destas monoparentais. As mulheres são chefes de família dentro e fora do lar, vivem na maioria do comércio informal e no seu imaginário desejam um futuro diferente do seu para as suas filhas.

A equidade do gênero em Cabo verde já é uma realidade, embora com alguns avanços como a lei da paridade nas instituições e na política, a lei que estabelece a violência como crime público ainda há muito trabalho pela frente. Celeste explica é preciso ter uma agenda nacional e que a luta “é de toda a sociedade, mas as mulheres têm que ter uma voz primária e estar na linha da frente e não nos bastidores para se defenderem.”

Celeste Fortes realizou uma pesquisa etnográfica multisituada, com 50 entrevistas a jovens estudantes cabo-verdeanas em Portugal e mulheres em Cabo Verde. Os resultados do estudo levaram-lhe a considerar outros aspectos de análise como as migrações e a invisibilidade das mulheres na História de Cabo Verde.

A investigadora caboverdiana, para além de reivindicar a validade da ciência produzida no sul epistemológico, procura democratizar o acesso ao conhecimento. E é como ativista social e cultural que transforma o seu trabalho académico num produto artístico. É co-realizadora do documentário Bidon: Nação Ilhéu, Projeto vencedor do concurso DOC TV III da CPLP, 2018.

Ficha técnica do episódio
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Conheça o hotsite e a equipe

1) Fortes, Celeste, Challinor, Elizabeth. “Women in Cape Verde.” In Oxford Research Encyclopedia of African History. Oxford University Press. Article published April 2020. Leia aqui

2) Fortes, C. e Rainho R. (2018) 16 de Julho de 1967. Início das emissões da Rádio Libertação. In CARDIMA, Miguel; SENA MARTINS, Bruno (orgs).  «As Voltas do Passado. A guerra colonial e as lutas de libertação». Portugal: Edições Tinta da China

3) Fortes, C. (2016)  Teorias que servem e teorias que não servem: dinâmicas familiares e de gênero em Cabo Verde e os desafios da importação teórica. In LOBO, Andréa; BRAZ DIAS, Juliana (orgs.). Mundos em circulação: perspectivas sobre Cabo Verde. Brasília: ABA Publicações; LetrasLivres/ Cidade da Praia: Edições Uni-CV, 2016


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