Atletas congoleses pedem asilo político em Londres

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Por Natalia da Luz, AHE Brasil

O cenário em ruínas é o resultado da guerra que despedaça muito além das estradas e instituições. Com o conflito, vão-se vidas, sonhos, mas não todos. Mesmo vivendo em um país sufocado por embates, os atletas da República Democrática do Congo não permitiram que o esporte fosse vencido por um adversário cruel. O país participou, pela primeira vez, de uma Paralimpíada com dois representantes no atletismo, que fazem parte de um grupo de seis conterrâneos que ainda não voltaram à terra natal. O grupo pede asilo em Londres em nome da segurança e da paixão pelo esporte.

 

– O governo está muito perigoso. Não podemos voltar. Não temos estrutura, apoio ao esporte – disse em entrevista exclusiva ao ahe! Guy Nkita, técnico da Federação de Atletismo ao lado de outros treinadores e atletas que disputaram a Olimpíada e que também optaram por pedir apoio ao governo britânico.

Com mais de 70 milhões de habitantes, o país também chamado de “O Coração da África” faz fronteira com muitos vizinhos: República Centro Africana, Sudão do Sul, Uganda, Angola, Congo, Burundi, Zâmbia, Angola e Tanzânia. Ele conquistou a sua independência da Bélgica em 1960. Após o feito, a nação mudou de nome. Em 1997, o antigo Zaire transformou-se na atual República Democrática do Congo, que recebeu Che Guevara, em 1965, com a intenção de instalar a revolução para o país.

A revolução de Che pela democracia não vingou, mas o país passou a ser o palco de outras batalhas: golpes de estado, conflitos étnicos, guerra civil. O histórico de guerras por lá é extenso e pesado. Em 1998, o país protagonizou o que ficou conhecido como A Guerra Mundial Africana, que envolveu nove nações vizinhas e mais de dez grupos armados. O acordo de paz foi assinado em 2003, mas a paz ainda não chegou, de fato. Desde 1998, mais de 5.4 milhões de pessoas morreram no país em decorrência da guerra, de forma direta ou indireta.

Contra esta realidade, alguns atletas aproveitaram a passagem pela Olimpíada de Londres para levantarem a bandeira da campanha “Stop Kabila Now” (Pare Kabila Agora). Joseph Kabila é o presidente desde 2001, e aquele que o grupo teme se voltar a Kishasa, a capital e porta de entrada do país. Fora da África, a delegação da República Democrática do Congo não usa mordaças e não teme defender a oposição.

Alguns atletas não puderam representar o país porque seus sobrenomes lembram o líder da oposição Tshisekedi (Étienne Tshisekedi é líder da oposição há décadas). O que está havendo no Congo é lamentável. O governo se recusou a investir na preparação de atletas. Isso quase retirou os poucos atletas da disputa – desabafa Nkita, completando que estar do outro lado pode ser uma sentença de morte.

Confira a reportagem em:

http://www.ahebrasil.com.br/noticias/2012/09/25/olimpiadas/estamos+nas+maos+das+autoridades+conta+tecnico+da+republica+democratica+do+congo+.html


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