“O turismo muda a percepção das pessoas sobre a África”, diz ministro da África do Sul

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INDABA - Divulgação
INDABA – Divulgação

Natalia da Luz, Por dentro da África

Durban, África do Sul – Visitar outro país e interagir com diferentes culturas trazem benefícios difíceis de mensurar. Esse encontro não afeta apenas o visitante, a experiência se multiplica e ajuda a moldar novas percepções sobre o outro. Conhecido como o país do arco-íris (apelido dado pelo Nobel da Paz, Desmond Tutu), a África do Sul é a porta de entrada dos turistas que escolhem o continente africano como destino. Esse movimento de visitantes na África, que, neste ano, deve aumentar 4%, (segundo a Agência da ONU para Turismo), ajuda a transformar a percepção do mundo sobre toda a África.

Ministro do Turismo Derek Hanekom – Divulgação

-O turismo é uma ótima ferramenta para combater os estereótipos e o preconceito que existem em relação à África. Todos esses visitantes que vêm para o continente africano mudam a ideia que eles têm da África, depois do que vivenciam aqui. Eles transformam a percepção que tinham do país. Por isso, temos que encorajar as pessoas – disse Derek Hanekom, ministro do turismo, em entrevista ao Por dentro da Africa, durante a Indaba, a maior feira de turismo da África.

Sediada em Durban, a 37ª edição da feira, que terminou nesta segunda-feira, reuniu mais de mil exibidores e 600 jornalistas de todo o mundo. Com mais de 18 países participantes (como Uganda, Zâmbia, Quênia e Namíbia, entre outros), o encontro é responsável por trazer para a cidade sul-africana uma receita de US$21 milhões, direta e indiretamente.

Indaba - Natalia da Luz
Indaba – Natalia da Luz

Durante discurso na Indaba, o ministro lembrou que a África é um caldeirão vibrante para o turismo com diversas culturas, costumes e tradições, além da riqueza em história e biodiversidade. Hanekom reforçou que toda essa diversidade deve ser visitada, conhecida e compartilhada. Com 54 países e 1,2 bilhão de habitantes, o continente possui mais de 120 patrimônios da Humanidade.

-Esse é um dos nossos maiores desafios: trazer as pessoas aqui, mostrar quem somos. Quanto mais pessoas trouxermos, mais percepções mudaremos. Assim, elas podem espalhar para todo o mundo o que viveram aqui – ressaltou Hanekom.


Indústria do turismo no continente

De acordo com o relatório do Banco Mundial “O turismo na África: Aproveitamento do turismo para aprimorar o crescimento e modos de vida”, os países africanos têm plenas condições de competir com outras regiões ricas do mundo se integrarem o turismo em suas economias. De 1980 a 2000, por exemplo, o número de chegadas na região Ásia-Pacífico cresceu de 8% para 22%. Já, na África, entre os anos 1980 e 2010, o crescimento foi 3% para 5%.capa

Trabalhar em conjunto pelo turismo pode ser o melhor caminho para estimular a economia de muitos países africanos. Em grupo, eles poderiam superar obstáculos como o acesso à terra e a regulação de vistos, expandindo, desta forma, as oportunidades de turismo e a criação de empregos.

Indaba – Divulgação

De acordo com dados do Banco Mundial de 2013, o número de turistas que chegam à África Subsaariana cresceu mais de 300% desde 1990. A renda gerada pelo turismo também subiu e foi responsável por incrementar as receitas de hotéis e atrações turísticas. Esse prognóstico que indica um futuro promissor do turismo na África favorece, principalmente, o crescimento econômico. De 2008 a 2013, por exemplo, o PIB real aumentou em média 5% no continente, sendo superior à média global de 3%.

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Na África do Sul, o turismo representa 4% do PIB. Ele tem sido reconhecido como um dos pilares do crescimento econômico, bem como um unificador social. Dentro da indústria, as mulheres representam quase 70% da força de trabalho, segundo dados da South Africa Tourism. No entanto, há uma marcada clara sub-representação das mulheres em cargos de chefia.

Cape Grace , Cidade do Cabo
Cape Grace , Cidade do Cabo

Em março de 2015, o ministro do turismo lançou o Programa de Incentivo de Turismo, reconhecendo o turismo como um trabalho do setor de serviços e um apoiador do “crescimento econômico mais rápido e mais inclusivo”.

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Em 2015, o país recebeu 8,9 milhões de turistas internacionais, 7% a menos do que no ano anterior. Mas, para este ano, a expectativa é melhor: o número de chegadas deve crescer 6%, de acordo com a Oxford Economics.

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*Por dentro da África foi convidado pela South African Tourism and South African Airways.