“Na Guiné Equatorial, um ativista corre o risco de ser preso, torturado e até morto”, diz Tutu Alicante

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Tutu Alicate no Oslo Freedom Forum

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – Localizada no Golfo da Guiné, a Guiné Equatorial é um país de, aproximadamente, 700 mil habitantes e que causa inveja às nações de grande extensão territorial, diante da sua reserva de petróleo. O país possui a maior renda per capita do continente africano, mas enfrenta uma série de denúncias de violação de direitos humanos que, segundo a organização Freedom House, deixam o país entre as 50 nações não-livres de todo o mundo.

– Há impunidade desenfreada. Muito poder concentrado nas mãos de quem está no governo. É difícil lutar contra a corrupção, sem o Estado ou instituições que deveriam minimamente proteger os cidadãos – disse, em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, o ativista Tutu Alicante Leon, destacando que os os maiores problemas enfrentados pelo país são: a absoluta ausência da lei e o crescimento da desigualdade.

Tutu Alicate – Divulgação

Vivendo desde 1994 na Flórida, Estados Unidos, Tutu lembra que há ativistas que lutam contra a corrupção e tentam pressionar a transparência na indústria de exploração do petróleo. Também existem organizações que combatem a corrupção judicial, mas não há espaço para a sociedade civil monitorar o combate à corrupção. Nas escolas, como de praxe em uma ditadura, questões relacionadas à situação social, econômica e política não são abordadas.

– Ativistas que escolhem viver dentro do país não desfrutam de visibilidade internacional e correm o risco de serem jogados na prisão, torturados e até mortos. Seus familiares são intimidados, perseguidos e pressionados. Em alternativa, o governo “compra” membros da família para forçar o indivíduo a mudar de rumo. Este mecanismo de pressão econômica, em um país onde a maioria é pobre, funciona muito bem – explica o diretor da EG Justice, organização que luta pela democracia e contra os abusos dos direitos humanos do regime governando desde 1979 pelo presidente Teodoro Obiang.

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Um dos exemplos de perseguição que ganhou projeção internacional foi o de Clara Nsegue Eyi, presa pelas forças de segurança em 2013 por organizar um protesto pacífico. Submetida a tratamento desumano e tortura durante quatro meses, Yi é uma dos fundadores do Partido da Social Democracia e líder do movimento “protesto popular”.

MAPA 1A Guiné Equatorial tem fronteiras com Gabão, São Tomé e Príncipe, Camarões e Nigéria e é o único país da África de língua oficial espanhola, embora tenham sido os navegadores portugueses os primeiros europeus a explorarem o Golfo da Guiné, em 1471.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 2013, o país tem um produto interno bruto per capita de US$ 32,026, que é a classificação mais alta de qualquer país africano. Por outro lado, a Guiné Equatorial tem, de longe, o maior espaço entre os números de riqueza per-capita e pontuação desenvolvimento humano.

– Obviamente, as pessoas empregadas pelas empresas de petróleo vêm sendo muito beneficiadas, mas, para a grande maioria das pessoas, a riqueza de óleo só fez crescer a distância entre ricos e pobres. Portanto, a Guiné Equatorial se tornou um dos países mais desiguais do mundo – disse Tutu, que desde 2004 não visita o país onde nasceu.

A constituição de 1982 dá amplos poderes ao presidente, incluindo a nomeação e destituição dos membros do gabinete e a elaboração das leis por decreto. Apenas dois partidos políticos trabalham como opositores, enquanto cerca de 10 deles são alinhados oficialmente ao partido no poder, e, segundo Tutu, se beneficiam de financiamento e acesso aos meios de comunicação nacionais. Resumindo, a Guiné Equatorial é hoje, essencialmente, um estado de partido único, dominado pelo Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) de Obiang, que disputará as eleições presidenciais de 2015/2016.

Liberdade de expressão 

Foto: Marka Angola

Segundo o último relatório da Freedom House, dos 51 países considerados não-livres, os piores são: República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Eritreia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria, Turquemenistão e Uzbequistão. No fim da lista, estariam, lado a lado, Tibet e Sahara Ocidental.

Tutu destaca que, dentro e fora da Guiné Equatorial, há pessoas que “lutam” na arena política. Artistas, rappers, escritores e estudiosos que usam suas vozes e versos contra o regime. O engajamento da juventude, a defesa da liberdade de imprensa seriam ferramentas a serem somadas aos esforços por um país livre.

Foto: Teodoro Obiang

De acordo com a Human Rights Watch, corrupção, pobreza e repressão continuam a atormentar a Guiné Equatorial.  A má gestão de fundos públicos e alegações credíveis de corrupção de alto nível persistem, assim como fazem outros abusos graves, incluindo detenções arbitrárias, detenções secretas e julgamentos injustos.

– Esses são alguns dos problemas que o meu povo vivencia. Dependendo do que esteja acontecendo no momento, atuamos mais com advocacia, pesquisa ou campanhas de mídia. Somos uma organização muito pequena que mantém o foco na Guiné Equatorial, mesmo, de vez em quando, apoiando campanhas e lutas em outras nações africanas – completou.

Presidentes no trono 

A Primavera Árabe tirou do poder presidentes que pareciam nunca mais abandonar seus tronos como Muammar al-Gaddafi (que estava há 42 anos no poder na Líbia), Hosni Murabak (que estava há 30 anos no poder no Egito) e Zine Ben Ali  (que estava há 24 anos no poder na Tunísia).

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Atualmente, em toda a África,  apenas três países adotam o sistema da monarquia: Marrocos, Lesotho e Suazilândia, com detalhe para esta última que é uma monarquia absolutista. No geral, o voto popular define o presidente que governará cada país. Apenas no ano de 2012, foram realizadas 17 eleições democráticas no continente, mas ainda há aqueles que permanecem no poder após muitos pleitos como José Eduardo dos Santos (desde 1979 no poder em Angola), Robert Mugabe (desde 1980 no poder no Zimbábue. Primeiro como primeiro-ministro e, desde 1986, como presidente) e Teodoro Obiang.

Folder de crítica ao presidente Teodoro Obiang

Obiang se juntou aos militares ainda durante o período colonial. Sob a liderança de Francisco Macías (o primeiro presidente do país após a conquista da independência em 1968), ele assumiu vários postos, incluindo os de governador de Bioko e líder da Guarda Nacional. O regime de Obiang indicava características claramente autoritárias, mesmo após a legalização dos outros partidos, em 1991. Muitos observadores nacionais e internacionais consideram o regime um dos mais corruptos e não-democráticos do mundo.

Veja mais: Presidentes Africanos: série resgata história e apresenta avanços e desafios para a África 

Tutu lembra que, pelo menos duas vezes durante discursos oficiais, Obiang convidou-o a retornar ao seu país para contribuir para o desenvolvimento, em vez de fazer críticas do estrangeiro, mas, segundo ele, no contexto do meu país, isso representa uma ameaça.

Por dentro da África 

 


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3 COMENTÁRIOS

  1. Maria Negrissima Maciel

    Ativista guinéu-equatoriano diretor-executivo da EG Justice Tutu Aliciante esta sendo ignorante e leviano o que este Sr? Sabe do Brasil e dos seus negros afros Brasileiros dos trabalhos e dificuldades e a importâncias desta para nossa comunidade apesar de falhas acertos e a os desfiles da Escola de Samba do Rio de Janeiro maior espetáculo popular Show da terra nem EUA tem isto e o 2015 Carnaval Rio lucra mais de R$ 2 bilhões com quase um milhão de turistas no carnaval A Secretaria Municipal de Turismo do Rio informou neste domingo (22) que 977 mil turistas circularam pelas ruas da cidade durante o Carnaval deste ano, gerando uma renda de US$ 782 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões). Fonte jornal Folha de São Paulo isto não este contabilizado o comercio informal e prestação de serviços diretos e indiretos do vendedor de laranja e picolés e diversas impressas assim como caches milionários de artistas ex; das rainhas de baterias Sabrina Sato ES Vila Isabel e Claudia Leite ES Mocidade I. de Padre Miguel mais de um milhão para cada uma, segunda revistas de artistas. E quem paga estas e outras serão que o dinheiro é? Porque será e quem começou e esta atrás desta sabotagem terrorista contra a instituição o cultural afro brasileira ES Beija Flor que junto com a gloriosa ES Mangueira em números de torcedores só perdem para o Flamengo e Corinthians no Brasil a Beija Flor existe mais de 100 agremiações com nome Beija Flor exclusive nas Américas, Ásia, África e Europa e todo ano vende milhares de camisas calcula para cada original mais 300 são vendidas e todo mundo ganha dinheiro com o nome Beija For e seus patronos e diretores e de outras escolas de samba também presta um trabalho maravilhoso e se Pastores e Igrejas e outros setores da sociedade fizessem igual ajudariam acabar a miséria e desigualdade do pais. Não é justo Sr. Tutu Aliciante misture alho com bugalho falar tanta bobagem como dizer “Foi horrível, humilhante, um tapa na cara das pessoas do meu país” e como Sr acha que as pessoas negras afras a brasileiras vivem aqui nos temos nosso holocausto eterno e sem direito a indenização ou reparações além dos preconceitos e discriminação das elites e das mídias, as mentiras e alienação do cristianismo que sugam como vampiros nós povo afro indígena humilde e fragilizado pelo genocídio sistemático da escravidão as elites de hoje. Todo dia dezenas de jovens são mortos sofrem chacinas estrupo é horrível, humilhante ver as crianças negras discriminadas nas redes de TV. As mesmas que estão preocupadas com o sofrimento e nunca ligaram para povo da Guiné Equatorial e também nunca para povo brasileiro são criticas de cretinos e parasita oportunista é surrealista e absurda a crítica no JN Globo do William Bonner R$ 2.000.000,00 e esposa Fatima Bernardes R$ 1.200.000,00 meses R$ 41.600.000,00 MILHÕES juntos recebem anualmente os apresentadores ancoras do Jornal Nacional da racista Rede Globo. Questionar os 10 MILHÕES de patrocínio a E.S. Beija Flor que exalta a historia a cultura de Guiné Equatorial que faz parte do sangue afro brasileiro e com um enredo maravilhoso “Um griô conta a história” que encantou centenas de milhões pessoas mundo assistida em mais de 120 países falando da riqueza cultural da Guiné Equatoriano pais e do povo que foi defendida da pela comunidade Beija Flor com raça honra e alegria paixão emoção como outras Escolas de Samba fizeram a mesma coisa com muito amor e fé o Sr Tutu que o Rio de Janeiro capital mundial do Samba e sua importância não existem um programa de samba ou de afros. A fascista branca ditadura racista cruel e predadora que manda e representa os interesses das elites no Brasil e não tem moral criticar outros países e seus governantes o s.r. Justice Tutu Aliciante deveria pedir desculpa comunidade da querida GRES Beija-Flor de Nilópolis (Brasil) fundada em 25 de dezembro de 1948. Campeã 14 e Vice-campeã 12 Um patrimônio uma historia que tem admirada e respeitada

  2. o problema maior da humanidade sempre foi a ganancia dos seres que deixa de ser humano quando não ver o seu próximo como o seu próximo ai surge todo tipo de desumanidade , como o caos , a miséria , o crime a prostituição , etc, devemos esperá que o DEUS único e ETERNO o VIVENTE que vive para sempre prometeu um dia faria justiça na terra , devemos espera , por que as palavras dele tarda mas não falha , pode acreditar .

  3. Adoro as informações do mundo africano, a forma como vocês abordam os temas e a as matérias que são publicadas diariamente me faz acreditar numa consciência maior é um dia uma vida melhor. Existe alguma possibilidade de fazermos um workshop de palestras e artefatos típicos africano para que possamos conscientizar mais o brasileiro? Teríamos que fazer em São Paulo! Every posso ajudar na organização do evento!