África em crônica: “A educação e as crianças em Angola”

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Crianças angolanas estudam em um local improvisado na cidade de Kuito, capital da província de Bié, em 2007. Foto: Rafaela Printes/Wikipédia/CC
Crianças angolanas estudam em um local improvisado na cidade de Kuito, capital da província de Bié, em 2007. Foto: Rafaela Printes/Wikipédia/CC

Por Gabriel Ambrósio, Por dentro da África 

Luanda – O tema educação compreende uma série de dilemas em nossas comunidades. Por conta da volta às aulas, o mês de janeiro foi complicado para mães e pais. A maioria diz é que a ‘educação garante um futuro melhor’, mas precisa vencer obstáculos como chuva, pobreza, poeira, maus profissionais, materiais escolares e propinas (mensalidades).

Quem vive na periferia sabe que a chuva é um grande problema, a pobreza, outro. Os profissionais ruins não motivam as crianças a gostar da escola e os materiais escolares são alvo de especulação de preços nos mercados informais, shoppings, becos e cantinas

As crianças pobres nem sempre conseguem ficar nas escolas, pois “saco vazio não fica de pé”. As escolas em ritmo de expansão não estão preocupadas com complexidades que me aventuro a escrever. Os donos dos colégios, empresários e governantes estão fazendo propagandas em benefício próprio. 

Eles apostam nos órgãos de imprensa para proliferar informações de que estão investindo para o desenvolvimento do setor, mas a realidade nos mostra que o futuro de muitas crianças continua ameaçado. Agora, os pais fortunados têm esperança de que os milhões de kwanzas gastos pelos colégios portugueses darão recompensas no futuro.

A criança pobre esbarra na fome e experimenta a ideia de que “para o pobre continuar pobre” e o rico continuar ricos, muitas crianças vão desistir ao longo do caminho. Os desistentes, muitas vezes, seguirão a trilha das ruas, dos assaltos, das drogas… O bom seria se todas as crianças tivessem direitos iguais, alimentação saudável, educação de boa qualidade, profissionais competentes e gestores à altura das demandas do tempo.

Com a prevalência das desigualdades, continuaremos a ter adolescentes dispersos, adultos apolíticos, ignorantes da cidadania e medrosos de política. Esses serão aqueles que não participarão da política, que terão medo de se posicionar e votarão por influência de amigos ou tios. A boa educação cria bons cidadãos, cria bons políticos e cidadãos politizados.