Conferência reuniu mais de 20 nacionalidades para debater ativismos na África

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Foto da conferência Ativismos em África – Divulgação

Por Alexandre Costa Nascimento, Por dentro da África

Lisboa – A Conferência Internacional Ativismos em África, realizada entre os dias 11 e 13 de janeiro em Lisboa, contabilizou mais de 70 trabalhos acadêmicos de pesquisadores e especialistas de cerca de 20 diferentes nacionalidades – a maioria originária de países africanos. O evento, organizado pelo Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (Iscte-IUL), reuniu trabalhos sobre ativismo LGBTI, ativismo de gênero, questões ambientais e de direitos de povos autóctones, entre outros.

Além de abordar uma ampla gama de temáticas, o evento inovou ao dar lugar de destaque na programação aos ativistas, sem deixar de lado os debates acadêmicos. “Neste sentido, nós conseguimos atingir os objetivos que nos propusemos no início, que foi valorizar neste espaço não apenas a presença de investigadores africanos como plateia para ouvir os grandes nomes da ciência ocidental, mas também possibilitar que essas pessoas pudessem apresentar aqui o conhecimento que eles estão produzindo”, avalia a doutoranda em Estudos Africanos e membro da comissão organizadora da Conferência Mojana Vargas.

O conhecimento produzido nos três dias de evento dará origem a um livro digital (e-book) com uma seleção dos trabalhos. Além disso, os resumos dos painéis e os vídeos com as mesas de abertura e de encerramento do evento, bem como do Fórum de Ativistas, estarão disponíveis em breve no site do evento

“O grande sucesso do evento é a ligação entre a academia e a vida real, o mundo que atua lá fora. A lição que levamos a todos é essa ligação entre quem é acadêmico e quem é ativista, que partilhou o mesmo espaço, as mesmas discussões, as mesmas energias e as mesmas divergências”, avalia a diretora do Mestrado em Estudos Africanos do Iscte-IUL e membro da comissão organizadora da conferência, Ana Lúcia Sá.

Um dos temas debatidos foi a defesa dos direitos de pessoas LGBTI em África

Para ela, o evento também ajuda a evidenciar a importância dos Estudos Africanos em Portugal. “Apesar da falta de financiamentos, apesar de muitas pessoas acharem que esta é uma área que não merece ser tão apoiada como outras disciplinas, podemos comprovar que a ligação, tão exigida pelos nossos governantes e tão necessária, entre a academia e a sociedade civil, também se pratica em Estudos Africanos”, afirma.

A segunda edição da Conferência Ativismos em África será realizada em 2019 em Bissau, na Guiné-Bissau. A organização do evento ficará a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep).

Mesa de Encerramento

A mesa de encerramento da Conferência reuniu três convidados que cumprem ao mesmo tempo o papel de ativistas e acadêmicos. A doutoranda em História da Arte Nancy Dantas, da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul), compartilhou detalhes de sua pesquisa “A Capitulação de Cecil Rhodes: de história inacabada a nova estética” sobre os debates em torno da polêmica figura do colonizador Cecil Rhodes.

O doutor em Antropologia Pedro Figueiredo Neto tratou do uso de espaços de mobilidade no transporte público como palco de atuação política e de mobilização social.

O encontro foi encerrado pelo ativista angolano José Marcos Mavungo, que em 2015 foi detido pelo regime angolano durante 433 dias por tentar organizar uma manifestação conta a má governação e as violações dos direitos humanos em Cabinda.


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