Episódio #11 – O rastreio do câncer do colo do útero em Moçambique, com Gefra G. Fulane

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No episódio n.º 11 o Por Dentro da África Podcast conversou sobre o rastreio do câncer do colo do útero em Moçambique com Gefra Fulane, doutoranda na Nova School of Business and Economics em Lisboa.

Segundo a investigadora moçambicana, o câncer do colo do útero é o principal problema de saúde pública das mulheres moçambicanas em idade reprodutiva e estima-se que poderá afetar, nos próximos tempos, cerca de 9 milhões de mulheres.

O vírus do papiloma humano (HPV) é responsável por um elevado número de infecções que originam lesões benignas ou podem evoluir para câncer, com destaque especial para o câncer do colo do útero. A vacinação é atualmente o método de prevenção mais eficaz, mas no caso de Moçambique não abrange todo o país nem todas as mulheres, apenas as adolescentes.

No seu trabalho de tese, Gefra foca-se no rastreio da doença na cidade de Xai Xai, província de Gaza e nas mulheres da faixa etária dos 30-55 anos. A investigadora de saúde pública, com formação em Antropologia, realizou um estudo etnográfico sobre as barreiras socioculturais que limitam essas mulheres a aderir ao rastreio do cancro do colo do útero disponibilizado pelos serviços de saúde locais.

Gefra refere que apenas 3,5% das mulheres-alvo são rastreadas todos os anos e que, mais do que barreiras relacionadas com a disponibilização e prestação de serviços, existem fatores cognitivo-culturais que impedem as mulheres-alvo de compreender a importância do rastreio.

A pesquisadora aponta o pudor como a emoção mais sedimentada e que é socialmente construída “como resultado da manutenção de laços sociais de um contexto de domínio masculino que influencia as interações sociais e as regras do que é culturalmente valorizado.”

Grupos focais, entrevistas e observações foram feitas pela pesquisadora que trabalhou em parceria com as autoridades locais e o programa nacional de prevenção do cancro do colo útero.

Gefra Fulane espera que os resultados da investigação sejam incorporados nas políticas e programas de saúde do país que, geralmente, “são arquitetados por organismos internacionais em espaços sociais específicos sem a devida customização.”

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