Formada por músicos do Togo e Benin, banda valoriza história e ritmos da África

0
466
Opai (esquerda) e Izy (direita) – Divulgação

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – Eles partiram da costa ocidental do continente africano em direção ao Brasil. Izy Mistura trouxe referências do Togo, e Opai BigBig, do Benin. Juntos, eles formaram “Dois Africanos”, banda que une e compartilha riquezas da cultura e história que liga Brasil e África.

Dois Africanos foi criada com o objetivo de mostrar a África que existe além do conhecimento geral, que é a África que a mídia convencional expõe como pobre e miserável e que poucos conhecem de verdade – disse, ao Por dentro da África, Opai, que trabalha como músico há 15 anos.

Dois Africanos – Divulgação

Opai fala francês, inglês, português e muitas, muitas línguas africanas. Essa diversidade cultural e linguística é ponto forte na formação dele, que veio para estudar Relações Internacionais em João Pessoa, na Paraíba, onde Dois Africanos nasceu.

-Essa multiculturalidade abre uma grande perspectiva e nos ajuda a escrever letras que relatam assuntos ligados a vários lugares. Nossa música tem esse foco educacional e esse papel de instruir e representar o continente. É importantíssimo ter bagagem cultural para isso, disse o beninense, nascido em Cotonou.

Dois Africanos - Divulgação
Dois Africanos – Divulgação

Natural de Lomé, capital do Togo, Izy fala francês, inglês, português, alemão, mina, ewé (do Togo), fon (do Benin), crioulo de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. Um caldeirão de influências que enriquecem o trabalho da banda que, no Brasil, amplia o aprendizado com a variedade de ritmos trazidos durante os séculos de construção do Brasil. Durante mais de três séculos, o nosso país recebeu mais de 4,8 milhões de africanos escravizados.

-Aprender uma língua é uma fonte de conhecimento. Para quem entende de composição, cada língua apresenta uma maneira diferente de escrever. Nas letras do Opai, ele usa a técnica de escrita do rap francês, como se contasse uma história. No meu caso, eu uso o modelo inglês, com ideias jogadas, flashes e justaposições. É muito interessante ver o resultado quando traduzimos para o português – disse Izy, que estudou Letras na Universidade Federal do Ceará e hoje vive em Fortaleza.

Dois Africanos - Divulgação
Dois Africanos – Divulgação

Opai, que prepara o lançamento do clipe Lekema (que na língua mina, do Togo, significa ‘E aí”?), diz que quer fortalecer a ponte entre o Brasil e a África, provando que, independentemente de onde moramos, nossas vidas têm os mesmo desafios. Lekema fará parte do álbum Djawá (que na língua fon, do Benin, significa “Alegre-se, comemore!)

-A África, apesar de grande e diversa, tem passado por desafios muito parecidos em seus países. Levamos isso para a música,mas não podemos esquecer que a música também é para divertir. Queremos passar mensagens, mas também lembrar que a vida foi feita para viver – completou Opai, que usa as redes sociais para se aproximar da família que vive na África.

Dois Africanos - Divulgação
Dois Africanos – Divulgação

Nos últimos três anos, Dois Africanos deixou de tocar apenas em João Pessoa e conquistou muitas cidades do país. Hoje, a banda faz shows em festivais, clubes, boates e eventos universitários. A música autoral de sucesso, responsável por lançar a dupla, foi “Eu sou de lá”, composição que resgata a história de uma caminhada iniciada do outro lado do Atlântico. A dupla ficou famosa em todo o Brasil ao participar do programa de uma emissora que descobre talentos.

-Acho que você não encontra a música no meio do caminho. Você nasce músico. Ela é tão exigente que se torna sua primeira namorada. Vivemos isso com a banda. É algo diário, contínuo e perpétuo – contou Izy.