“Os recursos naturais podem melhorar a vida dos africanos”, diz pesquisa

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Kofi Annan e Nicolas Michel (professor da Universidade de Generbra) - Foto: Violaine BeixCidade do Cabo, África do Sul – Segundo o Relatório do Africa Progress Panel (APP) deste ano, a África está à beira de uma oportunidade extraordinária: seus governantes podem optar por investir as receitas dos seus recursos naturais para gerar empregos e oportunidades para milhões de pessoas, ou podem permitir a proliferação do desemprego e da desigualdade.

De acordo com o documento, em muitos países africanos, as receitas dos recursos naturais potencializam o abismo entre ricos e pobres. Embora muito se tenha alcançado, uma década de crescimento a um ritmo impressionante não representou melhorias comparáveis no âmbito da saúde, educação e nutrição.

O Africa Progress Panel afirma que o continente pode gerir melhor a sua riqueza em recursos naturais estabelecendo programas de ação nacionais arrojados para fortalecer a transparência e a responsabilidade. Por outro lado, a corrupção representa um desafio importante. A África perde em fluxos financeiros ilícitos o dobro do valor que recebe em ajuda internacional. O relatório destaca cinco contratos celebrados entre 2010 e 2012, que custaram à República Democrática do Congo, por exemplo, mais de 1,3 milhão de dólares em receitas através da subavaliação e venda de bens a investidores estrangeiros. Essa soma representa o dobro do valor dos orçamentos anuais para a saúde e educação de um país com uma das piores taxas de mortalidade infantil e com sete milhões de crianças e jovens fora da escola.

Kofi Annan, antigo secretário-geral das Nações Unidas e presidente do Africa Progress Panel, afirmou, nesta sexta-feira, que esta situação tem um impacto direto nas vidas das mães e das crianças. Em todo o mundo, milhões de cidadãos precisam que os seus líderes assumam uma posição.

Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, afirmou que o relatório faz uma crítica aos debates sobre a riqueza dos recursos naturais da África. Se as suas recomendações forem levadas em consideração, a África acelerará o seu progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Strive Masiyiwa, fundador e diretor executivo da Econet Wireless e membro do Africa Progress Panel, afirmou que, embora algumas empresas importantes demonstrem uma liderança excepcional no âmbito da transparência, outras demonstram indiferença em relação à ética e à vida humana.

Com informações do Africa Progress Panel