ONU condena assassinatos e aumento de violência no Burundi após as eleições

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Um eleitor exerce seu direito ao voto durante as eleições no Burundi. Foto- MENUBCom informações da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar preocupado com a situação em Burundi, onde a segurança continua piorando após as recentes eleições, e condenou fortemente o assassinato do general Adolphe Nshimirimana no último domingo (02) e do defensor de direitos humanos, Pierre Claver Mbonimpa, nesta segunda-feira (03).

O chefe da ONU observou “com grande preocupação a contínua deterioração das condições de segurança em Burundi, após o período eleitoral marcado por violência e violação dos direitos humanos, incluindo o direito à vida”.

Mbonimpa foi baleado quatro vezes por assaltantes desconhecidos na capital Bujumbura. Ban lembrou que o incidente, que ocorreu um dia após o assassinato do general Adolphe Nishimirimana, “é parte de um padrão crescente de violência motivada pela política no Burundi que deve ser quebrada antes de escalar fora do controle”.

O Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) também alertou sobre a detenção e tratamento brutal do correspondente local das agências francesas de notícia RFI e AFP, Esdras Ndikumana. Agentes do serviço nacional de inteligência levaram o jornalista para a sua sede em Bujumbura e, segundo relato, submeteram-no à tortura, afirmando que ele era um “jornalista inimigo”.

O secretário-geral da ONU frisou que “responsabilização e a retomada genuína do diálogo político inclusivo são a melhor a resposta para essas tentativas de desestabilizar o Burundi”. Desde o início das tensões políticas no país em abril, após o anúncio do atual presidente de concorrer a um terceiro mandato, mais de 600 pessoas foram detidas arbitrariamente no país.