Teses e Monografias: Expansão dos polos educacionais e formação no segmento educacional da Bahia

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Título:
GESTÃO ESTRATÉGICA DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR: FOCO NA EXPANSÃO DE POLOS EDUCACIONAIS E FORMAÇÃO DE REDES NO SEGMENTO EDUCACIONAL NA BAHIA

Aluno: Rodson Luz Santos

Instituição: Faculdades EST Escola Superior de Teologia – Programa de Pós-Graduação em Teologia

Na era do conhecimento o capital humano é valorizado pela capacidade que tem em transformar recursos em produtos e em bens duráveis. Dessa forma, a administração perpassa pela gestão de pessoas. Essa nova forma de gerir uma organização de pessoas, hoje, é incentivada como elemento estratégico para dar respostas às transformações e à geração de valor. Mas, vale ressaltar que muitas organizações não abandonaram o modelo hierárquico de gestão, apreciado na era industrial, quando a administração tinha por base, na sua estrutura, a divisão rígida entre planejamento e execução.

Acontece que a matéria-prima das Instituições de Ensino Superior (IES) é o conhecimento que, independente do controle institucional, sofre elevada mutabilidade, perenidade e grande acessibilidade. Assim, a IES que é lócus de produção, construção e expressão social desse conhecimento tem que assumir uma gestão que dê conta dessa complexidade. Ocorre, entretanto, é que muitas organizações aplicam um modelo de gestão que foi estruturado para um modelo de gestão científica, baseada na eficiência, enquanto, hoje, o maior desafio é a instabilidade da complexidade.

No que concerne às mudanças identificadas nas instituições de ensino, tende a expansão dos seus serviços, mediante crescimento em redes, de forma isolada ou através de alianças estratégicas com outras instituições de ensino nacionais ou internacionais. Essa inovação na gestão de redes educacionais tem por objeto de estudo principal dessa dissertação. A curiosidade epistemológica tem seu foco na gestão, baseada na seguinte pergunta científica: Será que instituições com estrutura organizacional burocrática ou organização com modelo similar às empresas familiares conseguem expandir em redes ou em polos de forma qualitativa e quantitativa no ensino superior?

Para tanto, o objetivo geral desse estudo é analisar a gestão de instituições de ensino superior em expansão de polos educacionais ou com formação de redes no segmento educacional na Bahia. Além do estudo teórico sobre a gestão universitária, far-se-á uma consulta empírica sobre a forma de gestão de três instituições de ensino superior no Estado, visando constatar na prática de gestão das IES as experiências exitosas e as não exitosas, assim como avanços e retrocessos no gerenciamento da instituição.

Por hipótese primeira, levanta-se o argumento de que a gestão centralizada e baseada no modelo de gestão científica dificulta o processo de expansão em redes das instituições de ensino superior. Por consequência, esse modelo tende não sustentar um crescimento dinâmico e uma expansão descentralizada de uma estrutura em redes ou em polos educacionais.

Por hipótese segunda, sustenta-se o argumento de que ao consultar a experiência de três instituições que atuam ou atuaram com estrutura de ensino em expansão, possivelmente, indicarão os aspectos positivos e limitantes de uma gestão universitária em redes.

A hipótese terceira traz como argumento o de que existe grande possibilidade de uma instituição em formação de redes ou polos ter sucesso na medida em que assegura uma gestão descentralizada, focada numa visão de crescimento sustentável.

O estudo assume uma característica de pesquisa qualitativa. Para isso foi usado o método teórico nas leituras e referências da administração clássica, seguindo a gestão nas organizações de aprendizagem e gestão estratégica. É um tema relativamente recente no Brasil, principalmente, na região Nordeste. As práticas existentes em Salvador demonstram que essas organizações se transformam em grandes potências, inovadoras e em grandes referências educacionais.

Para melhor compreensão na prática desse tema, foram selecionadas para consulta em campo, três Instituições de ensino superior, buscando ampliar o leque de informações. Foram consultadas três especialistas com cargo de gestão, uma em cada Instituição, como não foi possível copiar documentos, foi elaborado um roteiro com destaques de pontos considerados importantes para o estudo a fim de facilitar a consulta nas IES.

As instituições de ensino consultadas são da rede privada, com estruturas de gestão e características diferentes. A primeira instituição possui um fundamento teológico na sua razão social, filosofia empresarial, missão, visão, procedimentos de conduta e ética – Faculdade Batista Brasileira/FBB, situada no Itaigara – um bairro de classe média alta e de tradição empresarial.

A segunda Faculdade consultada foi a Faculdade da Cidade – pertencente à Rede Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. A rede possui uma grande expansão no Estado, nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Jequié e Itabuna. No ambiente das Instituições se apresentam alguns símbolos que remetem à doutrina Católica, entretanto, não há uma declaração de confissão clara e expressa na missão e nos princípios educativos.

A terceira Faculdade consultada foi a Faculdade de Ciências Educacionais, situada no Baixo Sul baiano – Valença. Hoje, extinta FACE deu origem a FACTIVA. Apesar de não ser, eminentemente, teológica, essa possui grande influência da concepção religiosa dos proprietários no desenvolvimento dos currículos, além dos símbolos existentes, filosofia, princípios e valores que remetem a uma determinada religião de ordem Protestante.

A dissertação se encontra dividida em três capítulos, a saber: o primeiro aborda, teoricamente, a administração científica versus gestão estratégica: retrocessos e avanços na gestão de IES. O segundo capítulo trata de abordagem prática da gestão universitária em expansão e isolada. O terceiro trata de formação de redes e expansão em polos no segmento educacional.

Finalmente, vale ressaltar a importância desse tema, tanto para aprofundamento profissional, como também por ser uma tendência recente das instituições de ensino superior no Brasil reunirem-se em alianças estratégicas para expansão e sustentabilidade no mercado.

 


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ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA VERSUS GESTÃO ESTRATÉGICA: RETROCESSOS E AVANÇOS NA GESTÃO DE IES EM EXPANSÃO DE POLOS EM FORMATO DE REDES

Esse capítulo apresenta um estudo teórico analítico sobre formas de administração com base no modelo de administração científica e gestão estratégica. Na oportunidade, o objetivo é confrontar os referidos modelos e analisar se os princípios da administração científica, muito utilizado, ainda, nos dias atuais, são apropriados para a expansão de instituição em redes ou em polo. Dessa forma, usa uma breve análise comparativa entre os dois modelos e suas pertinências gerenciais para o tema dessa dissertação.

Para tanto, é abordado o modelo da administração científica, analisando não sobre a ótica de um modelo superado, mas, que convive na contemporaneidade de forma predominante em algumas situações produtivas e de serviços que exigem o rigor das habilidades manuais, automatizadas, com burocracia exacerbada e atividades, fortemente, supervisionadas. Esse modelo científico de gestão aparece, concomitantemente, com outros modelos de gestão mais modernos.

1.1.1 Administração: avanços nos conceitos

Nos tempos atuais, a administração acontece em contextos em que a mutabilidade é a palavra de ordem. A instabilidade econômica e as consequências decorrentes das flutuações financeiras interferem no âmbito social, principalmente quando se trata de países em desenvolvimento, como o Brasil. Nessa perspectiva, da comunicação sem fronteira, de acelerada produção e disseminação do conhecimento, ressalta-se que “Um aspecto-chave da administração é reconhecer o papel e a importância de outras pessoas[5]”.

A administração científica tem seu fundamento nos princípios da ciência, dentro de uma concepção de Administração Clássica. “A preocupação básica era aumentar a produtividade da empresa por meio do aumento da eficiência no nível operacional, isto é, no nível dos operários. Daí a ênfase na análise de divisão de trabalho do operário[6]”. Esse modelo repercutia numa estratificação funcional a partir do chão de fábrica, para supervisores, gerentes e diretores. Nessa estrutura, havia uma rígida divisão entre execução e planejamento.

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