Banco do Brics financiará obras de infraestrutura nos países em desenvolvimento

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BRICS

Por dentro da África

Rio – Durante o 6º Fórum do Brics, realizado em Fortaleza, os chefes de Estado dos países membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) assinaram um acordo para a criação de um banco de desenvolvimento destinado ao financiamento da infraestrutura em países emergentes. Nesta terça-feira, segundo dia da cúpula, foi decidido que a Índia será o primeiro país a chefiar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

O capital inicial, que será dividido entre os membros do BRICs, será de US$ 50 bilhões (sendo US$ 10 bilhões em recursos e US$ 40 bilhões em garantias). Em discurso, a presidente Dilma Rousseff disse que o banco “representa uma alternativa para as necessidades de financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais”. O banco conjunto terá como função financiar projetos de infraestrutura e sustentabilidade.

Além da presidente Dilma Rousseff, estavam na cúpula, o premiê indiano, Narendra Modi, e os presidentes Jacob Zuma, da África do Sul, Vladimir Putin, da Rússia e Xi Jinping, da China.

Veja mais: Formação e coalização entre potências emergentes: o estudo do BRICs

Na reunião, além da abertura do banco, os líderes acertaram a criação de um fundo para socorrer os membros. Batizado de Arranjo de Contingente de Reservas (ACR), o fundo servirá para ajudar os países do bloco em caso de dificuldades com balanço de pagamentos. O capital inicial do fundo será de US$ 100 bilhões. A China entrará com US$ 41 bilhões; o Brasil, a Rússia e Índia com US$ 18 bilhões cada; e a África do Sul com US$ 5 bilhões.

Foto: Encontro dos BRICs 2014 – EBC

Lançamento de publicação

Foi lançada nesta terça-feira a “5ª Publicação Estatística Conjunta dos Países Brics 2014” (“Brics – 5th Joint Statistical Publication 2014” – em inglês). O livro é o resultado dos esforços dos órgãos oficiais de estatística dos Brics, que, desde 2010, trabalham em conjunto para disseminar informações econômicas, sociais e ambientais dos seus respectivos países. Para acessar, clique aqui

Histórico dos BRICs

O grupo foi chamado primeiramente BRIC, a partir de um estudo do economista Jim O’Neil, do banco de investimentos Goldman Sachs, e sua criação ocorreu devido à necessidade de estudar as economias desses países, cuja perspectiva é a de superarem, juntas, até 2050, as economias dos seis países mais ricos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália), ou Grupo dos 6 (G6).

O grupo foi formado, inicialmente, por Brasil, Rússia, Índia e China – os quatro maiores países emergentes do mundo, cujas iniciais resultaram na sigla BRIC–, e passou a contar formalmente com a participação da África do Sul no dia 14 de abril de 2011, classificado como o 12º maior país emergente do mundo. Com a adesão da África do Sul, o grupo passou a ser denominado BRICS (sendo a letra S referente à South Africa).

O relatório intitulado Building Better Global Economic Brics, elaborado pelo Goldman Sachs, mapeou as economias dos países que primeiramente compuseram o BRIC até 2050, a partir de projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e crescimento de produtividade. Com base nesses estudos, avaliou a possibilidade de as economias desses países superarem as do G6.

Com informações do Senado Federal