Ruanda: projeto ajuda refugiados na substituição de lenha e carvão por combustível limpo

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Mulheres e crianças pequenas chegam a passar horas perto do fogo, inalando fumaça tóxica que causa doenças e leva à morte. Foto: ACNUR/Anneliese Holllmann

Com infornações da ONU

Em 2016, uma empresa ruandesa chamada Inyenyeri fez algo que nenhum negócio do setor privado havia feito antes no país: abriu uma loja dentro de um campo de refugiados. Com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a companhia fornece combustível limpo para os deslocados forçados que vivem no acampamento.

O organismo internacional acredita que o produto pode ser a solução ideal para combinar abastecimento de energia e preservação do meio ambiente. Em Ruanda, praticamente todos os 150 mil refugiados dependem de lenha e carvão para cozinhar. Essas fontes de energia, porém, trazem riscos para a saúde e a segurança da população.

Mulheres e seus filhos pequenos passam horas perto do fogo, inalando fumaça tóxica que causa doenças e leva à morte. Em Ruanda, 225 refugiados morrem todos os anos por causas relacionadas à poluição do ar em ambientes fechados.

Outro problema é o esgotamento dos recursos florestais. Quando a coleta de madeira se torna inviável em uma localidade, refugiados e membros de comunidades anfitriãs têm de viajar para encontrar lenha. Segundo o ACNUR, a tarefa recai costumeiramente sobre o público feminino.

No meio rural, mulheres relataram terem sido atacadas e agredidas sexualmente enquanto buscam madeira em florestas ou campos próximos. A coleta também consome tempo que poderia ser usado em outras atividades e em capacitação.

O impacto ambiental da dependência de métodos tradicionais de cozimento também é devastador, alerta o ACNUR. Degradadas, as florestas liberam dióxido de carbono no ar, deixam o solo propenso à erosão e, no terreno montanhoso de Ruanda, podem levar a inundações e deslizamentos de terra.

Pelo menos 60 pessoas morreram em 2016 devido a deslizamentos causados por fortes chuvas. A maioria era de crianças. O problema não se limita à Ruanda, lembra a entidade das Nações Unidas. Globalmente, 80% dos refugiados dependem de biomassa tradicional para cozinhar, levando à queima de 64,7 mil acres de floresta por ano.

Um combustível mais ecológico

A Inyenyeri vende fogões adaptados à queima de pellets, que são feitos principalmente de ramos de eucalipto secos, cortados e comprimidos. Essa forma alternativa de usar a natureza para produzir energia consome até 95% menos madeira do que o tradicional fogão feito com três pedras ou fogões a carvão. A queima é quase duas vezes mais limpa, assemelhando-se a do gás natural, cujo custo é muito elevado para a maioria dos ruandeses.

A fonte de combustível alternativa também é mais eficaz do que o carvão vegetal na produção de calor — uma vantagem para os refugiados cujos pratos tradicionais costumam cozinhar durante horas. O primeiro cliente da Inyenyeri era uma mulher do campo de refugiados de Kigeme que possui seu próprio pequeno negócio de laticínios.