África nas Paralimpíadas: José Armando Sayovo – A guerra, a cegueira e a volta por cima

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Competição em Londres 2012 – Divulgação

Por Andre Carlos Zorzi, Por dentro da África

Nem sempre José Sayovo foi esportista. Apesar de gostar de jogar futebol em sua infância, teve de entrar para o exército do MPLA quando tinha pouco mais de 15 anos de idade.

Em 25 de agosto de 1997 Angola vivia uma terrível Guerra Civil, e José ocupava o posto de sargento. Estava em uma missão quando seu jipe passou sobre uma mina terrestre, ocasionando a explosão do artefato, deixando-o gravemente ferido e fazendo-o perder a visão.

Cego, Sayovo sabia que aquele dia mudaria a sua vida para sempre, mas jamais imaginaria que o acidente poderia abrir portas para tornar-se um dos maiores exemplos de superação e ícones esportivos de seu país.

O primeiro convite para o atletismo veio por parte de um amigo que também era deficiente visual, no centro médico de Luanda, onde estava sendo tratado. De inicio, José achou que era uma brincadeira, já que nunca tinha visto um cego correr competitivamente, e sentiu-se ofendido. Cerca de um mês depois, teve sua primeira experiência nas pistas. Desde então, não parou mais.

Acompanhado por seu guia Nicolau Palanca, o para-atleta é o maior medalhista olímpico dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa): Ao todo, são oito medalhas conquistadas em três Paralimpíadas disputadas.

Sua estreia não poderia ter sido melhor: Em Atenas-2004, conquistou o ouro nos 100m, 200m e 400m livres. Quatro anos depois, em Pequim, conquistou a prata nas mesmas categorias. Já em Londres-2012 conquistou o ouro nos 400m e o bronze nos 200m. Todas as medalhas vieram na categoria T-11, para deficientes visuais.