Resenha do documentário “Angola nos Trilhos da Independência”

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Divulgação

Por João N`gola Trindade, Por dentro da África

O documentário Angola nos Trihos da Independência foi exibido ontem (08/11/2015) no CinePlace do Belas Shopping e no Cine Atlântico em alusão ao 40º aniversário da independência de Angola.

Produzido durante cinco anos (2010-2015), o documentário narrado por Kalaf Epalanga tem a duração de aproximadamente duas horas e reúne depoimentos de angolanos, na sua maioria pouco conhecidos como Emmanuel Kunzika, Adolfo Francisco, Antônio Pedro Moyo, Pedro Bengue (UPA/FNLA), Ruth Mendes, Maria Luísa Gaspar, Pedro Colombo, Ciel da Coonceição, Augusto Loth, João Vieira Lopes, (MPLA); Loth Guilherme, João Vicente Viemba, José Samuel Chiwale, Txaca Capela e Salomé Chinhama (UNITA).

O documentário tem como ponto de partida a década de 50 do século XX quando surgiram as primeiras formações políticas angolanos como a UPNA (1954) que evolui para UPA (1958), e posteriormente para a FNLA (1962), o MINA, o PLUUA o MIA e o PCA este último que, a semelhança de alguns dos partidos já citados, foi fundado por Viriato da Cruz que, no Manifesto de 1956, apelava para a criação de um “Amplo Movimento Popular de Libertação de Angola” que viria a ser o MPLA.

As divergências entre os movimentos de libertação nacional, derivadas das alianças e opções ideológicas durante a Guerra Fria foram abordadas pelos nacionalistas angolanos afetos aos três movimentos de libertação nacional. A FNLA e a UNITA – esta última fundada em 1966 – acusam o MPLA de ter violado o Acordo de Alvor, e este por sua vez culpabiliza os movimentos, hoje partidos políticos, pelo incumprimento do Acordo de Alvor.

O documentário apresenta extratos de algumas entrevistas concedidas por Mário de Andrade, Agostinho Neto, Lúcio Lara e Holden Roberto à imprensa que acompanhava a situação da então colônia de Angola que no dia 11 de novembro de 1975 conquistou a independência.

Trata-se do primeiro documentário sobre a luta de libertação nacional produzido em Angola pela Fundação Tchiweka de Documentação, cujo patrono é Lúcio Lara, que coloca à disposição dos historiadores, em particular, e do público em geral, um material indispensável para a pesquisa histórica.