Programa de rádio debate educação sexual em Moçambique

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Entre os 35 participantes, Danísia Portugal representa a Rádio Quelimane FM, da Zambézia, e o produtor de conteúdos Judeu de Rosário trabalha na rádio do Instituto de Comunicação Social, ICS, em Murrupula / ONU NEWS

Com informações da ONU NEWS

Capacitar profissionais de rádio para difundir informações sobre a educação sexual em todas as áreas de Moçambique é a aposta da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Os participantes são das províncias de Nampula, a norte, Zambézia, no centro, bem como Maputo e Gaza, no sul. A ênfase está na radionovela para a prevenção da gravidez indesejada e do HIV.

A ONU News em Maputo conversou com o responsável de Programas, Dione Peart. Ela revelou as expectativas com a capacitação.

“Cada episódio fala sobre vários temas, diálogo com os pais, puberdade, gravidez precoce entre outros conteúdos. Depois da formação, os jornalistas vão difundir as produções de rádio drama. A nossa esperança é que vão ser uma das pessoas na linha da frente no combate à gravidez precoce, da transmissão do HIV e da violência baseada no gênero. Essa é a nossa expectativa.”

Moçambique está entre os países onde mais ocorrem casamentos de menores. Uma análise com jovens de idades de 20 a 24 anos revela que metade se casaram antes de completar 18 anos. A prática é considerada uma violação dos direitos humanos.

Dione acredita que a difusão da informação através da rádio poderá ajudar a alcançar os objetivos desejados.

“Queremos garantir que os pais também tenham mais confiança no tema sobre Educação Sexual Abrangente, para perceber que não é promoção do sexo, mas sim sobre habilidade de um jovem conseguir tomar decisões sobre a vida deles. Ter informação apropriada para as idades e mais informação possível para poder prevenir comportamentos de risco e chegar até um nível que possa contribuir para desenvolvimento do país.”

Saúde sexual reprodutiva

O produtor de conteúdos Judeu de Rosário trabalha na rádio do Instituto de Comunicação Social, ICS, em Murrupula, distrito da província de Nampula. Ele diz que a formação apoiará programas sobre saúde sexual reprodutiva.

“Trabalhamos diretamente com a comunidade onde existem alguns hábitos e costumes. É normal encontrar um senhor de 65 anos a casar com uma menor de 14 anos. Isto de certa maneira é preocupante para nós como comunicadores. A ideia é transmitir esses conhecimentos via rádio, para que as pessoas mudem de comportamento. É um processo, mas temos que trabalhar nessas matérias para que as pessoas mudem o comportamento, mudem a sua maneira de pensar.”

Entre os 35 participantes, Danísia Portugal representa a Rádio Quelimane FM, da Zambézia. Ela destaca a importância do papel dos pais, professores, adolescentes e jovens na produção de programas.

“Esta formação vai desmitificar muitos hábitos culturais ligados à sexualidade, tanto que assuntos os pais não podem dizer para os filhos, os adolescentes acabam aprendendo de fora, e não como deveria ser visto que estamos a ter alto índice de gravidez indesejada e isto está a preocupar. Esta formação vem, de certa forma, para produzir um conteúdo que minimize o nível de gravidez precoce e indesejada nos adolescentes e jovens.”

Há cerca de três anos, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, promulgou e mandou publicar a Lei de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras. A lei elimina o tipo de uniões maritais, punindo o adulto que se casar com uma criança com pena até 12 anos de prisão e multa até dois anos.

*De Maputo para ONU News, Ouri Pota