Intolerância religiosa: Casas de candomblé foram incendiadas em Goiás

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Arquivo pessoal – Babazinho de Oxalá

Por dentro da África

Na madrugada deste sábado (12), duas casas de candomblé foram incendiadas em municípios de Goiás. Para os proprietários das casas, os ataques indicam exemplos claros de intolerância contra as religiões de matrizes africanas.

– Assim que me informaram, fui correndo, mas não havia mais o que fazer. Perdemos tudo. A casa foi toda queimada. Uma vizinha disse que um coquetel mollotov foi lançado de um carro prata, mas não sabemos mais nada – disse em entrevista ao Por dentro da África, o babalorixá Babazinho de Oxalá, que há cinco anos abriu sua casa em Santo Antônio do Descoberto.

Babazinho conta que o prejuízo pode passar dos R$100 mil. O ataque aconteceu um mês após um outro atentado ter destruído parte da casa deixando uma perda de R$30 mil. Após ter sido informado, ele foi para a delegacia mais próxima registrar o caso, mas saiu de lá com pouca esperança de justiça. Em Águas Lindas, a 50 Km dali, outra casa foi incendiada, mas, felizmente, o estrago foi menor. Os proprietários conseguiram apagar o fogo a tempo.

-Quando cheguei na delegacia, disseram que não havia muito o que fazer. Então, também entrei com denúncia no Ministério Público. Tentarei ir até o prefeito para buscar alguma justiça – conta, lembrando que a denúncia também foi reforçada pela Fundação Palmares.

Ele conta que esse tipo de atentado à casa Ilê Orilá Funfun está muito frequente em Goiás e que os praticantes das religiões de matrizes africanas estão sofrendo uma perseguição cada vez mais evidente no Brasil.

Intolerância religiosa

Em junho, uma menina de 11 anos, praticante do candomblé, levou uma pedrada na cabeça, após saída do culto na Vila da Penha, Rio de Janeiro. A família registrou a ocorrência como lesão corporal e prática de discriminação religiosa.

Veja o especial aqui: Intolerância contra as religiões de matrizes africanas

O parágrafo VI do artigo 5º da Constituição brasileira diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A Lei Caó (Lei 7.716/89) considera crime a intolerância religiosa.

caminhada-Precisamos de união e pedir para que os governantes enxerguem essa situação porque daqui a pouco teremos que fazer nosso sagrado escondido, no meio do mato. Não podemos aceitar essa situação – completa.

No próximo dia 20 de setembro, o Rio de Janeiro receberá a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. A manifestação foi criada diante da crescente manifestação de intolerância religiosa, inclusive com agressões físicas e destruição de patrimônios de cultos, particularmente contra as religiões de matrizes africanas. SAIBA MAIS AQUI