África em Verso: “Volúveis como nuvens”, por Ed Mulato

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Foto: African Skies – Divulgação

Ed Mulato

Volúveis como nuvens

num céu de intenso verão

fecham-se caminhos diversos,

que nunca mais se usarão.

… e lá se vão, ávidos, os homens preparados para a guerra,

construindo, sem pedras, novas Torres de Babel,

que os leva cada mais longe, e sempre mais, da Terra,

mas não os aproxima, nunca mais do céu.

… e lá estão, destruídas, desprezadas pela terra

as torres montadas longe, lá ao léu:

entulhos, monturos de orgulhos, engulhos

agora poeiras – mortalhas amargas de fel.

Esgarçando o manto imenso,

nuvens negras, todas juntas:

não haviam mais respostas

para inúmeras perguntas.

No peito ferido dos horrores,

a dor de não ter dores,

o nada de ser nada;

a esperança de ter tudo,

totalmente desmanchada…

Estamos como as pedras:

expulsos da Terra pela primeva combustão,

rolando pelos montes, pelas serras,

no momento exato da primeira Criação.

Meramente unidos numa gota que se perde

na ponta de um galho qualquer,

eternamente vertida, não se rende

a um resto sujo de orvalho, sequer.

Porque, em nossa cor, que residia

nossa força, resistindo

na ponta de nosso punho cerrado

nosso orgulho, maculado

aos poucos desmanchou-se,

e foi-se indo…!!!

Por dentro da África

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