África em Verso: “Africanizando”, por Morgado Mbalate

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Guiné-Bissau – Fotografia de Virginia Maria Yunes


Por Morgado Mbalate

Quando o meu sonho me ilumina
eu escrevo África.
África me faz e me rodeia.
Eu amo essa gente cheia de África.
O chão da África tem cheiro de mim.
Na África, todos os caminhos nos levam às fontes da terra
e às origens do mundo.
E o que me torna africano?
É o amor pela terra e pela cultura.
A terra me ilumina. A cultura me encanta.
Minha alma é atravessada por imensos rios,
como o Rio Nilo, que nasce no meu corpo.
Em mim, há quedas de águas, sobre mim,
caminham cursos de rios.
A maioria dos rios da África nasce no planalto dos olhos.
Por isso, eu caminho de mãos dadas com a flora e a fauna.
Sou savana africana de mim mesmo.
A poesia africana é para se vestir dela
e correr poemas pelo mundo.
E eu escrevo para justificar a poesia africana.
Não acredito na riqueza material fácil e
rápida para todos os africanos.
Mas acredito no ideal de riqueza espiritual
através da promoção da cultura.
Eu hoje escrevo o coração da África.
Nunca me separo da África porque
a trago dentro de mim.
África é dentro de mim.

De Moçambique, Morgado Mbalate

morgado