África em Crônica: “União Africana Adulterada”, por Marcelo Aratum

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União Africana

Marcelo Aratum, Por dentro da África

No passado, ela era conhecida como Organização da Unidade Africana (OUA), nos dias de hoje, como União Africana (UA) para se aproximar da sigla dos padrinhos, UE (União Europeia). A instituição foi criada em 25 de maio de 1963 pelos grandes pan-africanistas com o intuito de unir forças braçais e intelectuais para se libertar da dominação imperialista, acima de tudo, para solucionar problemas implantados durante séculos de colonização exploratória. Infelizmente, as ideias primárias desses homens foram por água abaixo, e ficou a União Africana Adulterada.

Certamente, o projeto dos imperialistas se concretizou, os verdadeiros líderes africanos foram mortos. O último deles, Muammar al-Gaddafi, saiu do poder em 2011 em uma conspiração denominada Primavera Árabe. Os atuais “líderes” que nos deixaram são todos adulterados, puras marionetes. Educados e instruídos para aceitarem a ideologia das parasitas ocidentais como algo mais salutar do que se pode imaginar.

O pior de tudo, os auto-proclamados líderes africanos, para legitimar a tal “marionetagem”, justificam-a usando a pobreza. A pobreza que ninguém consegue explicar. Mas, provavelmente é a pobreza intelectual. Atualmente, o maior problema do continente africano se assenta nas manobras remotas: os africanos se jogam contra os africanos, em uma briga desenfreada, em perseguição, inveja, ódio e a comercialização da pobreza. Sim, a comercialização da pobreza!

Você não sabe como funciona? Então, prossiga que é fácil entender a ignorância dos líderes africanos. Eles deixam tudo como está para continuarem recebendo as papeladas de euros e dólares que eles costumam chamar de ajuda dos “parceiros internacionais”, ou seja, quanto mais há pobreza, mais as papeladas, simbolicamente valorizadas, caem, automaticamente, em suas contas.

Tal “macaquice” se reflete, principalmente, no atual cenário do Mar Mediterrâneo. Vemos crianças e jovens, mulheres e homens se jogando ou jogados como objetos, nas águas. Óbvio, “o hoje lembra o ontem”. A diferença é que o hoje é perceptível, no que se refere à escravidão legitimada.

Será que todas essas mazelas e a omissão da UA prejudicariam a “festagem” que sempre acontece nessa data? Não. Festejar, nesse dia, é simplesmente um subterfúgio, uma desabrocha e exposição daquilo que é proveniente dos jovens africanos “artificializados”. Como dizem por aí, “o africano gosta de…” Pois é, comemorar para quê se a União Africana não conseguiu responder a expectativa do povo africano.

O 25 de maio deveria ser um dia oportuno para manifestar a nossa indignação, erguer os cartazes à frente das embaixadas, mostrando a insatisfação que temos. Em vez de nos atolar em desfile de dança, de alcoolização, etc. O desfile que ridiculariza imperceptivelmente as sofridas crianças e, ao mesmo tempo, credencia as marionetes dos dirigentes africanos.

Vamos lutar por uma África justa. Sendo assim, deixe de lamentar contra a mídia internacional, deixe de choramingar e se dirija àquele que está “administrando” seus bens e, acima de tudo, procuramo-nos afirmar os nossos valores: religiões, músicas, vestimentas, respeito, cordialidade, etc.