Tecnologia na África: Irmãos nigerianos criam navegador para celular

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Foto: Arquivo Pessoal

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – Eles ainda estão na adolescência, mas já criaram um aplicativo que pode impactar a vida de muitas pessoas que usam a internet pelo celular. Com 14 e 15 anos, os nigerianos Osine e Anesi Ikhianosime desenvolveram um browser para Android inspirado no Google Chrome, que eles chamaram de Crocodile Browser Lite.

– Este é o melhor browser móvel que eu já usei na minha vida. A interface de usuário é excelente e é tão fácil de abrir e fechar abas diferentes… – disse Osine, em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, sobre o navegador (um programa de computador que habilita seus usuários para interagir com os sites).

Atualmente, de acordo com dados da União Internacional das Telecomunicações, mais de 3 bilhões de pessoas no mundo usam a internet. No entanto, outras 4 bilhões seguem desconectadas, a maioria localizada em países em desenvolvimento. Segundo a pesquisa, em 2005, cerca de 18% dos lares tinham acesso à internet, em 2015, esse percentual subiu para 46%.

crocodileEntre os nomes da tecnologia que os inspiram, Osine e Anesi listam Mark Zuckerberg (co-criador do facebook), Nick D’Aloisio (programador de computador britânico mais conhecido como o criador do Summly, tecnologia de inteligência artificial desenvolvida com SRI International), Elon Musk (bilionário sul-africano envolvido na estruturação de empresas como Paypal, SpaceX e Tesla Motors) e Bill Gates (criador da Microsoft).

Foto: Arquivo Pessoal

– Demoramos nove meses para desenvolver a primeira versão do aplicativo. Começamos com uma base de usuários bem pequena, mas hoje, mais de 67 mil pessoas já fizeram o download! – comemorou Osine, completando que o seu aplicativo é mais rápido do que o Chrome.

Nas horas vagas, Osine gosta de tocar piano, violino e de jogar futebol, enquanto Anesi prefere passar o tempo com os livros. Entre uma partida e outra, entre um livro e outro, eles trabalham em diferentes projetos voltados para comunicação como o CrocChat, que está em fase de teste. No futuro, eles desejam frequentar o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, referência para os estudos da tecnologia da informação.

– O objetivo é alcançar as pessoas que ainda não têm acesso à internet. Nos projetos que estamos desenvolvendo, contamos com ajuda dos nossos pais, amigos e de pessoas de fora para aprimorar esses programas – compartilhou Anesi, que trabalha na empresa BluDoors, que ele criou com o irmão.

nigeria mapaNigéria

Os irmãos que chamaram a atenção da indústria da tecnologia com o “Crocodile” nasceram e cresceram no país mais populoso da África. Por muito tempo, a nação de cerca de 177 milhões de habitantes (de acordo com o Banco Mundial) foi a sede de inúmeros reinos e impérios.

O país que conquistou a independência da Inglaterra em 1960, é habitado por mais de 500 grupos étnicos, como os hauçás, igbos e yorubas. Ele tem sido identificado como uma potência regional no continente africano, apesar de 46% da população viver na pobreza (segundo o Banco Mundial) . Em 2013, o seu Produto Interno Bruto (PIB) se tornou o maior da África, com mais de 500 bilhões de dólares, ultrapassando a economia da África do Sul.

Foto: Arquivo Pessoal

Dos usuários, a maioria que fez download não está na Nigéria. Apenas cerca de 20% são nigerianos, de acordo com Osine. O resto está espalhado por outros países do continente africano e fora da África.

Atualmente, há mais de 7 bilhões de linhas de celulares no mundo, um número impressionante, principalmente, quando comparado ao ano 2000, quando eram apenas 738 milhões. Essa quantidade de celulares é um incentivo para a criação de novas ferramentas e de softwares para atender pessoas do mundo inteiro, principalmente, do continente africano.

Com o crescimento de usuários, de acordo com o relatório de junho de 2015 do Groupe Speciale Mobile (GSM), 80% das 800 milhões de pessoas da região subsaariana devem ter acesso a celulares até o final da década.

– Nós pensamos que, uma vez que as pessoas sigam fazendo coisas grandes (para impactar na vida de muitas pessoas), a percepção geral da África vai mudar e nós vamos começar a ver mais sobre as nossas invenções na mídia.

Baixe o aplicativo aqui