África em Verso: “Chagas”, por Ruy Silva Santos

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Reprodução da série Raízes – History –

As chagas na pele que o chicote provocou,

não traduzem toda a amargura que o negro carrega no semblante triste:

os maus tratos impingidos ao escravo negro,

a distância da terra natal

e a separação das pessoas amadas,

doem muito mais.

Mas ele obstinadamente, persegue seu ideal:

não se render, não se dobrar,

se vendido, sim; vender-se, jamais!

Ainda é difuso o ideal maior: a liberdade plena

escondido em estranha neblina,

o vulto desta liberdade, dilui-se

mas, ele está lá…

Os anos caminham lentos;

perseverante, olhos no futuro,

o negro verá, um dia,

raiar o sol da outra meia liberdade.

Ai de ti,

embora livre dos grilhões

continua escravo na meia libertação !

Sentes, na pele,

todas as agruras que nos impõe esta sofrida vida

mistura-te, em lágrimas,

àqueles que mastigam línguas,

pois a fome é longa.

No sonho, num profundo sono,

Bebes o próprio sangue para amenizar a sede…

reza e envia ao Deus, implorando a Morte

Trabalho intenso na terra dura…

cavoucas o chão, ignorando a procura

quando percebes que não encontras nada,

fazes, do buraco, a tua sepultura…

Outrora, para ser escravo,

tinhas que ter a pele escura…

Agora, é diferente:

Basta-te a pobreza.

Ruy Silva Santos