“O paradesporto é uma referência para o nosso país. Ele inspira a juventude”, diz atleta de Cabo Verde

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Gracelino Barbosa – Divulgação

Natalia da Luz, Por dentro da África

Rio – As Paralimpíadas do Rio ficarão marcadas na história de muitos atletas, especialmente na vida dos cabo-verdianos, que subiram no pódio pela primeira vez nos Jogos Paralímpicos. Cabo Verde, um país africano de língua portuguesa, levou para casa a medalha de bronze nos 400 metros da categoria T20 de atletismo. Por dentro da África conversou com os dois representantes do país na Vila dos Atletas.

-Eu não vim com esperança de medalha. Quando ganhei, parecia que estava vivendo um sonho. Eu senti que poderia bater o recorde pessoal mais uma vez, e foi o que aconteceu, e ainda consegui a medalha – disse o atleta Gracelino Barbosa, que terminou a prova com 48.55, novo recorde africano na modalidade de deficiência intelectual.

Gracelino Barbosa – Arquivo Pessoal

Gracelino dividiu o pódio com o brasileiro Daniel Martins, medalha de ouro, e o venezuelano Arturo Paiva, que ficou em segundo. O atleta de 31 anos disse que acreditava que havia atletas com melhor condição do que ele, já que ele veio para a Paralimpíada na 9 colocação entre os melhores do mundo em sua categoria. No ano passado, o cabo-verdiano nascido em São Domingos foi medalha de ouro no IV Campeonato Mundial para atletas com deficiências intelectuais, no Equador.

Orgulho de Cabo Verde, Gracelino vive hoje em Porto, Portugal, onde treina pesado. Ele conta que, para correr os 400 metros, é preciso muita técnica. Por conta disso, todo o último ano foi dedicado à melhora da sua performance.

Gracelino Barbosa - Arquivo Pessoal
Gracelino Barbosa – Arquivo Pessoal

-Para mim, todos os atletas que superam os seus desafios são inspiração. Somos uma grande família que envolve não apenas os atletas de Cabo Verde. Todos esses, que superam as suas marcas, as suas dificuldades, são os meus ídolos – completou Gracelino.

Representante de Cabo Verde, Márcio Fernandes participou da prova de lançamento de dardo na categoria F44 (dentro do grupo de atletas de campo com deficiência nos membros inferiores). O paratleta já superou o recorde africano com a marca de 56,24 metros no campeonato do Mundial em Doha, Catar.

Márcio Fernandes - Arquivo Pessoal
Márcio Fernandes – Foto de Laurent Bagnis – cedida ao Por dentro da África

Hoje com 33 anos, Márcio faz atletismo desde os 10 anos. A partir dos 16, que ele passou a praticar esporte de forma mais profissional, com foco nos torneios nacionais e internacionais.

Márcio Fernandes - Arquivo Pessoal
Márcio Fernandes – Arquivo Pessoal

-Depois do acidente (que atingiu a perna esquerda), eu vivi uma fase difícil, mas consegui superar. O esporte ajudou muito nessa fase – disse o atleta ouro no lançamento de disco nos Jogos Africanos, em Brazzaville, Congo.

Ex-colônia portuguesa, o país ficou independente em 1975 e tem hoje mais de 500 mil habitantes. No século XV, os exploradores portugueses descobriram e colonizaram fazendo de algumas de suas ilhas os primeiros assentamentos portugueses no continente, como a Ilha de Santiago.

Saiba mais sobre a relação entre o Brasil e Cabo Verde em uma de nossas pesquisas – ‘Memórias do Quilombo: África, diáspora, Cabo Verde e Brasil’. 

O país, que tem no turismo uma das suas principais fontes de negócios, olha para o paradesporto como uma ponte para um futuro mais inclusivo e promissor. Marcio acredita que, hoje, o paradesporto é um dos motivos de maior orgulho da população de Cabo Verde.

Márcio Fernandes - Arquivo Pessoal
Márcio Fernandes – Foto de Laurent Bagnis – cedida ao Por dentro da África

-Temos sido uma referência em todos os níveis para o nosso país. Independentemente dos resultados em grandes competições, o paradesporto inspira juventude que nos vê como heróis. O legado foi deixado, então, espero que os jovens sigam o nosso caminho.


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