Países menos desenvolvidos devem alinhar financiamento com planos nacionais

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FAO/Cristina Aldehuela Acra, Gana

Com informações da ONU News

Os países menos desenvolvidos devem garantir que o financiamento que recebem do estrangeiro seja investido em áreas prioritárias dos seus planos nacionais. Segundo novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), essa é a melhor maneira destes países controlarem sua dependência de ajuda externa.

Em entrevista à ONU News, o chefe da Divisão Africana e Países Menos Avançados da Unctad, Rolf Traeger, explicou a importância desta mudança.

“O essencial para que os países menos avançados superem a condição de subdesenvolvimento é que os governos nacionais tenham um papel central na determinação dos projetos de desenvolvimento e no financiamento desses projetos. O que acontece é que esses países, por causa da poupança doméstica fraca, são dependentes de fontes estrangeiras de financiamento. Então, têm de negociar eternamente as condições de chegada de capitais estrangeiros.”

Dentre os 20 países mais dependentes de ajuda em todo o mundo, 15 Estados são países menos desenvolvidos. Em relação aos países lusófonos, Rolf Traeger diz que a situação é muito diferente entre eles, destacando o exemplo de Angola.

“Angola, tradicionalmente, pelo fato de ter grandes receitas de exploração de petróleo, nunca foi tão dependente. Entretanto, recentemente, por causa da queda dos preços do petróleo, teve que recorrer à dívida estrangeira para financiar seu desenvolvimento. Então, agora, está com problemas da gestão da dívida.”

O especialista ressalta que o contexto angolano é muito diferente da situação vivida por países como Moçambique, São Tome e Príncipe e Guiné-Bissau, que têm receitas domésticas mais baixas.

“Esses países, tradicionalmente, foram mais dependentes da ajuda pública ao desenvolvimento. Nessa situação, todo o tipo de dificuldades e problemas se apresentam. Em primeiro lugar, essa ajuda nunca é suficiente em relação às necessidades de investimento. Por outro lado, nem sempre essa ajuda é investida nos setores prioritários definidos pelos governos. Temos, então, um descompasso entre os planos de desenvolvimento nacionais e a política dos países doadores e investidores estrangeiros.”

Segundo o relatório, estas economias recorrem cada vez mais ao financiamento por dívida.

Entre 2007 e 2017, este grupo mais do que duplicou a sua dívida externa, que passou de US$ 146 bilhões para US$ 313 bilhões. Atualmente, um terço destes países estão em dificuldades de dívida ou correm alto risco.

O relatório afirma que o mundo em desenvolvimento tem hoje acesso a uma nova arquitetura de ajuda, com mais fontes de financiamento. Apesar disso, o aumento da diversidade não trouxe aumentos significativos de investimento.


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