Episódio #19: Representações da masculinidade no cinema lusófono, com Irineu Rocha da Cruz

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No episódio desta semana, o Por Dentro da África Podcast recebeu Irineu Rocha da Cruz de Cabo Verde. O investigador, também artista plástico, realiza um Doutoramento em Estudos de Cinema no Centre for Multidisciplinary and Intercultural Inquiry da UCL, University College London.

Irineu debruça-se sobre representações do universo colonial lusófono no cinema do Estado Novo e no cinema dos países da África Lusófona no período pós-independência com foco nas representações de masculinidades coloniais. Os filmes “Chaimite” (1953) e “O Tempo dos Leopardos” (1985) são o ponto de partida da análise.

Com base nos estudos pós-coloniais e em teóricos como Homi Bhabha ou Franz Fanon, o investigador caboverdiano questiona o quanto da matriz colonial se reflete na identidade dos cidadãos pós-independência. A idealização do ‘homem novo’ é uma das narrativas que, por um lado, para o Estado Novo serviu para glorificar os homens exemplares da nação por exemplo, na figura de Mouzinho de Albuquerque que engradeceu o império e por outro, na personagem ‘Pedro’, do filme “O tempo dos Leopardos”, que serviu para propagar a mensagem revolucionária da Frelimo de combate ao anti-tribalismo, obscurantismo e outros aspetos que causavam a desunião da nova nação.

Com foco nas ideologias dos regimes e na história, o investigador efetua um processo interpretativo para chegar a uma ‘subconsciência coletiva.’ “Quero perceber até que ponto é que as representações de gênero e raça nos filmes são o resultado de dinâmicas coloniais subconscientes e não somente o resultado das doutrinas ‘publicas’ dos regimes,” afirma o investigador.

Ultracolonialismo, luso-tropicalismo, herói, assimilado, língua são alguns dos conceitos explorados no trabalho de investigação de Irineu Rocha da Cruz que parte do princípio de que o Estado Novo em Portugal produziu um colonialismo muito particular e com implicações para a identidade do colonizador e do ex-colonizado e suas respectivas práticas de representação.

Reflexões da sua investigação têm sido apresentadas nos seus trabalhos artísticos um pouco pelo mundo. A Gulbenkian foi um dos palcos que recebeu o seu trabalho em Setembro de 2019.

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