Mais 63 mil pessoas buscam abrigo em bases da ONU no Sudão do Sul

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Civis buscam refúgio no complexo da missão da ONU, a UNMISS, em Juba, capital do Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Shantal Persaud
Civis buscam refúgio no complexo da missão da ONU, a UNMISS, em Juba, capital do Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Shantal Persaud

Rio – Cerca de 63 mil civis já buscaram refúgio em bases das Nações Unidas no Sudão do Sul. Pelo menos 122 mil pessoas já tiveram de deixar suas casas nos últimos 12 dias.

– As prioridades para a resposta aos deslocados são serviços de alimentação, saúde, abrigo, água, saneamento e higiene, proteção e gerenciamento do acampamento – informou a Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), observando que as agências de ajuda humanitária precisarão de 166 milhões de dólares para responder às necessidades imediatas até março de 2014.

A UNMISS disse que combates intensos entre forças do governo e rebeldes nos estados de Jonglei e Upper Nile ocorreram nos últimos três dias. Intensos combates também foram relatados nesta quinta-feira em Malakal, no estado do de Upper Nile, enquanto Juba, a capital do país, manteve-se calma.

As tensões no Sudão do Sul, país mais jovem do mundo que ganhou sua independência em 2011 depois de secessão do Sudão, tiveram início no último 15 de dezembro, quando o governo do presidente Salva Kiir disse que os soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, demitido em julho, promoveu uma tentativa de golpe de Estado.

Kiir pertence ao grupo étnico Dinka e Machar ao Lou Nuer. O conflito tem sido cada vez mais marcado por denúncias de violência étnica.

Sudão do Sul - UNReforço da missão da ONU

O Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (DPKO) está trabalhando com outras missões de paz na região, bem como a tropa e a polícia dos países contribuintes, para agir rapidamente tropas e equipamentos – principalmente helicópteros – no Sul do Sudão de modo a reforçar a proteção dos civis.

Na terça-feira, o Conselho de Segurança autorizou dobrar a capacidade da UNMISS, para cerca de 14 mil pessoas, por meio da transferência de unidades, se necessário, a partir de forças da ONU na República Democrática do Congo (RDC), Darfur, Abyei, Costa do Marfim e Libéria.

Embora o número de pessoas mortas nos confrontos seja desconhecido, é provável que milhares perderam a vida desde o início da crise, disse a UNMISS.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que pelo menos 121.600 pessoas foram deslocadas, enquanto as organizações humanitárias dizem que o número pode ser maior.

A OCHA informou que as agências de ajuda humanitária estão fornecendo alimentos para milhares de pessoas em Juba, Bentiu, Malakal e Awerial, mas não foram capazes de acessar o armazém de Bor por razões de insegurança. Há relatos de que o depósito tenha sido saqueado.

Mulheres em Aweil, no estado de Bahr el Ghazal do Norte, recolhem água de uma fonte nas proximidades para irrigar seus campos. A FAO distribui bombas de pedal para facilitar este tipo de trabalho e permitir que as comunidades produzam mais. Foto: ONU no Sudão do Sul
Mulheres em Aweil, no estado de Bahr el Ghazal do Norte, recolhem água de uma fonte nas proximidades para irrigar seus campos. A FAO distribui bombas de pedal para facilitar este tipo de trabalho e permitir que as comunidades produzam mais. Foto: ONU no Sudão do Sul

Clínicas móveis que operam em instalações da ONU em Juba, onde 25 mil civis já buscaram refúgio, estão realizando 350 consultas por dia, e as campanhas de vacinação contra sarampo e poliomielite estão programadas para começar antes do dia 31.

Saneamento e higiene preocupam ONU

A principal preocupação continua a ser o saneamento, bem como a higiene e o risco de surtos de doenças, como a cólera. A missão anunciou também que a situação é mais crítica em Bor, onde 15 mil civis procuraram abrigo, especialmente em termos de saúde, água e saneamento. “Há poucos banheiros dentro da área e acesso limitado a água potável. Há também necessidade urgente de comida, abrigo e suprimentos.”

Em Bentiu, no estado de Unity, cerca de 8 mil pessoas estão abrigadas dentro da base da ONU. No estado do Upper Nile, 12 mil pessoas estão abrigadas na base da ONU. Isso não evitou, contudo, que vários civis dentro da base tenham se ferido por balas perdidas durante os confrontos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, continua em contato com líderes de todo o mundo para discutir a crise. Na quinta-feira, o presidente do Quênia e o primeiro-ministro da Etiópia visitaram Juba numa tentativa de mediar o conflito.

Com informações da ONU


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