Processo de paz no Mali enfrenta desafios humanitários e políticos

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Com informações da ONU

O subsecretário-geral das Nações Unidas para as Operações de Manutenção de Paz, Hervé Ladsous, alertou o Conselho de Segurança nesta segunda-feira (11) a respeito da fragilidade do processo de paz no Mali. Atrasos na realização das eleições previstas pelo acordo entre o governo do país e grupos armados ameaçam avanços recentes nas negociações entre as partes. O representante da ONU destacou a relação entre a transição política e o desenvolvimento do país, onde 400 mil crianças não têm acesso adequado à educação.

Segundo Ladsous, em maio e junho do ano passado, um acordo de paz foi firmado entre governo do Mali, a Coordenação dos Movimentos de Azawada e a coalizão de grupos armados Plataforma. Apesar dos avanços obtidos desde então, que incluíram a libertação de detentos e encontros entre o presidente Ibrahim Boubacar Keïta e representantes das partes signatárias, as eleições locais agendadas para outubro de 2015 foram adiadas e, até o momento, não foram remarcadas.

O subsecretário-geral também destacou que a lei eleitoral ainda não foi revisada, conforme previsto pelo acordo de paz. Ladsous ressaltou ainda a necessidade de investir no desenvolvimento do Mali, como forma de consolidar a estabilidade do país. “Como todos sabemos, não haverá paz duradoura no norte do Mali sem dividendos de paz para os mais vulneráveis”, afirmou. Parceiros internacionais se comprometeram a liberar 3,2 bilhões de euros para o país, segundo o representante da ONU.

Ladsous alertou que, embora 89% das escolas que funcionavam antes da crise tenham sido reabertas nas três comunidades do norte do país, 400 mil crianças continuam tendo seu acesso à educação comprometido pela falta de infraestrutura e professores qualificados. Em regiões afetadas pela violência, um em cada cinco colégios permanece fechado devido à ausência de docentes.

Desde junho de 2015, a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) aumentou em 30% seu apoio às comunidades do norte, desenvolvendo 36 projetos que somam cerca de 1,3 milhão de dólares. Entre as iniciativas, estão o fornecimento de água potável na área de Kidal, de equipamentos médicos para clínicas tanto em Kidal, quanto em Mopti, a reforma de centros de assistência social em Goal e projetos de reintegração social de mulheres, jovens e maleses internamente deslocados, em todas essas regiões e em Timbuktu.


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