Guiné-Bissau conquista classificação inédita para a Copa Africana de Nações

0
  •  
  •  

 

guine-bissau2Por André Carlos Zorzi, Por dentro da África

Em meio a uma situação política bastante conturbada, a população da Guiné-Bissau encontra ao menos um ótimo motivo para celebrar: O país classificou-se pela primeira vez à Copa Africana de Nações, competição de futebol mais importante do continente.

A conquista veio graças a uma heróica vitória por 3 x 2 sobre a Zâmbia, no último minuto do jogo disputado no sábado, 4 de junho. Os guineenses ainda precisaram esperar a vitória do Quênia sobre o Congo no dia seguinte para poder comemorar oficialmente a vaga.

Nos dias que antecederam a partida, a imprensa local especulava que os prêmios que os jogadores deveriam receber por conta das últimas vitórias ainda não haviam sido pagos, gerando um clima de descontentamento entre os atletas e as autoridades do país. Porém, isso não pôde ser percebido em campo.

Aos 15’ de jogo, pênalti para os donos da casa. O goleiro pulou para o canto esquerdo, e o atacante Zezinho bateu forte, no lado oposto, inaugurando o placar.

Os visitantes empataram aos 26’, após Mbesuma receber passe em profundidade na entrada da área, driblar um defensor guineense e chutar forte, por baixo do goleiro.

Menos de dez minutos depois, Mendy recebeu cruzamento e cabeceou próximo à pequena área. O goleiro Mweene tentou tirar em cima da linha, mas falhou e a bola voltou aos pés do próprio Mendy, que retomou a vantagem para os donos da casa.

Logo na volta do intervalo, aos 3’, escanteio para a Zâmbia. Bola cobrada para a área, para em seguida retornar aos pés do cobrador, pela lateral direita do campo. Ele cruza de novo, e desta vez Christopher Katongo cabeceia, empatando novamente a partida.

Toni Silva – Divulgação

Quando o cronômetro já marcava incríveis 52 minutos, e o jogo se aproximava do fim, Toni Silva pegou a bola e saiu em disparada, num ótimo contra-ataque para a Guiné-Bissau. À frente de três defensores zambianos, chutou a bola antes mesmo de adentrar a grande área, tirando do goleiro e estufando as redes, para o completo delírio da torcida presente no Estádio 24 de Setembro.

O feito da Guiné se valoriza ainda mais pelo fato de ter sido sorteada em um grupo bastante respeitável: Zâmbia, presença frequente no torneio, e campeã em 2012; Congo-Brazzaville, que foi semifinalista na última edição do torneio, em 2015; e Quênia, que costuma montar times competitivos, apesar de dificilmente participar de grandes competições.

Os guineenses começaram as eliminatórias com um bom empate fora de casa contra a Zâmbia. Na sequência, foram derrotados pelo Congo por 4 x 2 dentro de seus domínios. Tudo indicava que, novamente, teriam pouco a almejar na competição.

Tudo mudou ao final do mês de março, quando venceram as duas partidas contra o Quênia, por 1 x 0, o que somado aos empates entre Congo e Zâmbia, fez com que assumissem a liderança do grupo. Na sequência, veio a classificação.

O time volta a campo na primeira semana de Setembro, quando enfrenta o Congo fora de casa, em um ‘amistoso de luxo’.

Além da Guiné-Bissau, também já garantiram sua classificação as seguintes seleções: Camarões, Mali, Marrocos, Egito, Gana, Argélia, Senegal, Zimbábue e Gabão (País-Sede).

Outras 14 equipes ainda brigam pelas seis vagas restantes: Libéria, Tunísia, Togo, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Benin, Burquina Fasso, Uganda, Cabo Verde, Costa do Marfim, Serra Leoa, Etiópia, Mauritânia e Suazilândia.


  •  
  •