Celebração na Líbia: Povo comemora dois anos de revolução

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Por Natalia da Luz

RIO – Mais de cinco milhões de líbios foram às ruas de todo o país em uma celebração pelos dois anos da queda do regime do ex-ditador Muamar Gaddafi que, por 42 anos, comandou a nação, localizada ao norte do Deserto do Saara e banhada pelo Mar Mediterrâneo. O dia 17 de fevereiro de 2011 marca o início da revolução que tomou o país, aproveitando a onda de revoltas no norte da África conhecida como Primavera Árabe.

Crianças participam da celebração do segundo ano da revolução - TrípoliA revolução na Líbia seguiu rumos diferentes daquelas vivenciadas pelo Egito e Tunísia, poucos meses antes. Na Líbia, o movimento fora reprimido violentamente por tropas pró-Gaddafi, em grande parte, por mercenários que chegavam de todos os cantos da África na defesa do regime em troca de dinheiro. A artilharia pesada, inclusive aérea, foi usada em manifestações matando milhares de jovens que reivindicavam democracia para os seus futuros.

Segundo estimativas do governo líbio, mais de 40 mil pessoas morreram e 20 mil ficaram seriamente feridas na guerra civil. O propósito da revolução era forçar o ex-ditador a deixar o poder, assim como acontecera no Egito, com Hosni Murabak, e  na Tunísia, com Zine Ben Ali. Diferentemente, Gaddafi resistiu prolongando a guerra civil que terminou com o seu linchamento em público, em 20 de outubro do mesmo ano.

A morte do ex-ditador marcou o início de uma nova era para esse país de cerca de 7 milhões de habitantes, que ainda busca caminhos para a sua reconstrução apoiada sobre o pilar da liberdade, sentimento silenciado por tantas décadas.  Para Wisam Ben, a celebração do segundo aniversário da revolução líbia começou cedo. Com bandeiras hasteadas pela capital Trípoli e amarradas ao corpo, ele, seus amigos e famílias inteiras encheram as ruas como uma grande festa.

– Nós dançamos, cantamos, distribuímos flores… Foi um dia de muita felicidade, de renovação da esperança,da paz, que desejamos para a Líbia – , contou ao Por dentro da África,  o jovem fotógrafo de 30 anos que nasceu em Trípoli.

Wisam é apenas mais um dos milhões nascidos durante a ditadura e que até fevereiro de 2011 não havia experimentado a liberdade. Agora ele é mais um dos responsáveis pela reconstrução de um país que reformula suas leis, sua educação, sua cultura e políticas públicas.

– Tudo é muito novo, é muito recente. Sabemos das dificuldades em consertar tudo isso, mas também sabemos que não podemos ficar esperando a vida toda – afirmou, reforçando a importância do povo na cobrança e na participação da nova Líbia.

Fotos: Ali Shlebak