Tunísia supera Nigéria e é campeã do basquete africano

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Tunisia campeã do AfroBasket 2017. Foto: FIBA

Por André Carlos Zorzi, Por dentro da África

A Tunísia sagrou-se bicampeã do AfroBasket, maior torneio de basquete do continente africano, que ocorre a cada dois anos. Nesta edição, a disputa se deu em duas cidades, Tunis, na Tunísia, e Dakar, no Senegal, entre os dias 8 e 16 de setembro.

A grande final foi disputada diante da Nigéria, e os tunisianos levaram a melhor por 77 x 65. A equipe já havia vencido o título em 2011, dando mostras de que se consolida como uma nova potência da modalidade na região.

Angola, país de maior tradição no basquete africano, ficou pelo caminho nas quartas de final, decepcionando sua torcida. O outro representante lusófono, Moçambique, foi eliminado ainda na 1ª fase.

 

Tunísia

El Mabrouk diante do Marrocos. Foto: FIBA

Mário Palma, experiente técnico português nascido em solo africano, foi o responsável por comandar os tunisianos rumo ao título – o 5º de sua carreira.

Embalados com a vantagem de disputar todas as suas partidas diante de sua torcida, em Tunis (o Senegal, outro país-sede, disputou apenas a 1ª fase em sua casa) os tunisianos obtiveram 100% de aproveitamento na competição.

Na 1ª fase, vitórias sobre Camarões (68 x 51), Ruanda (78 x 60) e Guiné-Conacri (64 x 59). Novos bons resultados diante do Congo-Kinshasa (81 x 60) e Marrocos (60 x 52) garantiram a vaga na final.

 

 

A Final – Tunísia 71 x 63 Nigéria

Mesmo atuando diante da torcida adversária, os nigerianos impuseram respeito no início do jogo. Após vencer o 1º quarto por 14 x 8, chegaram a abrir uma vantagem de 24 x 15 durante o 2º quarto.

Mesmo assim, os donos da casa tiveram uma boa recuperação, e com parciais de 17 x 10 e 27 x 16 nos quartos intermediários, chegaram à etapa final com vantagem – e mantiveram-na.

Faltando cerca de dois minutos para o fim da partida, os nigerianos chegaram a reduzir a diferença para sete pontos (68 a 61), mas a reação parou por aí.

 

Nigéria

Foto: FIBA

O caminho dos nigerianos até a final não foi fácil. Já na primeira partida, vitória por apenas um ponto de vantagem diante da Costa do Marfim (78 x 77). Na sequência, novo triunfo, desta vez de forma mais tranquila (90 x 67) sobre o Mali. Mesmo perdendo o último jogo da fase inicial (77 x 83) diante do Congo-Kinshasa, a equipe avançou como líder, graças aos critérios de desempate, uma vez que três equipes fizeram 5 pontos no Grupo A.

Em seguida, vieram duas memoráveis atuações: 106 x 91 contra Camarões nas quartas de final, maior pontuação em uma única partida nesta edição, e vitória por 76 x 71 diante do Senegal, em Tunis, garantindo vaga na final.

 

Angola

Foto: FIBA

A seleção angolana, considerada a mais tradicional equipe africana quando o assunto é bola ao cesto. Ao todo, são 11 títulos e 4 vice-campeonatos – uma marca e tanto.

Desde a primeira vez em que chegaram à final do torneio, em 1983, os angolanos só ficaram de fora da derradeira disputa do título em três ocasiões: 1987, 1997 e 2017. Há 30 anos os angolanos não ficavam duas edições seguidas da competição sem levar a medalha de ouro.

Desta vez, porém, as coisas não saíram tão bem. Após precisar do tempo extra para superar a lanterna do grupo, Uganda (94 x 89), os angolanos perderam para o Marrocos (53 x 60) e superaram a Republica Centro-Africana (66 x 44), avançando à fase seguinte na 2ª colocação.

Diante do Senegal, a equipe conseguiu manter um jogo parelho até os minutos finais, mas acabou derrotada no ginásio de Tunis (57 x 66)

 

Moçambique

Fiba Mocambique Egito

Longe dos holofotes, Moçambique foi outra representante do mundo lusófono a participar do torneio. Na estreia, perdeu para o Egito (47 x 75). Em sequência, venceu a África do Sul (67 x 61), mas deu adeus definitivo à competição perdendo para os senegaleses (49 x 80).

 

Seleção do torneio:

Foto: FIBA

Ike Diogu, veterano nigeriano que já passou por equipes norte-americanas como o San Antonio Spurs e atualmente joga na China, foi eleito o MVP do torneio, com média de 22 pontos marcados por partida.

Seu companheiro de equipe, Ikenna Iroegbu, o senegalês Gorgui Dieng e os tunisianos Mourad El Mabrouk e Mohamed Hadidane completaram a seleção de melhores do AfroBasket.

 

Classificação-Final

Reprodução / FIBA
Reprodução / FIBA
Reprodução / FIBA
Reprodução / FIBA

Quartas de final:

Nigéria 106 x 91 Camarões

Senegal 66 x 57 Angola

Marrocos 66 x 62 Egito

Tunísia 81 x 60 Congo-Kinshasa

 

Semi finais:

Nigéria 76 x 71  Senegal

Tunísia 60 x 52 Marrocos

 

Final:

Tunísia 77 x 65

 

3º Lugar:

Senegal 73 x 62 Marrocos

 

Feminino

Foto: FIBA

No mês de agosto ocorreu o AfroBasket feminino, na cidade de Bamako, no Mali, que teve a Nigéria como grande campeã.

O regulamento é um pouco diferente da versão masculina do torneio: 12 equipes se dividem em dois grupos com seis times em casa. Os quatro melhores avançam e se enfrentam em sistema mata-mata.

Nigéria campeã

As nigerianas superaram Moçambique (80 x 69), Congo-Kinshasa (84 x 47), Egito (106 x 72), Guiné-Conacri (106 x 33) e Senegal (58 x 54), garantindo a liderança da etapa inicial.

Em seguida, vitórias sobre Costa do Marfim (98 x 43) e Mali (48 x 47) garantiram a vaga na final, ocasião em que venceu o Senegal (65 x 48).

 

Duelo lusófono

Nas quartas de final, uma das maiores surpresas do torneio: Moçambique, 4ª colocada em seu grupo, superou a seleção de Angola, líder absoluta de seu grupo na fase inicial, por 61 x 47.

 

Classificação completa:

1º – Nigéria

2º – Senegal

3º – Mali

4º – Moçambique

5º – Costa do Marfim

6º – Angola

7º – Egito

8º – Camarões

9º – Congo-Kinshasa

10º – Guiné-Conacri

11º – Tunísia

12º – República Centro-Africana

 

Seleção do torneio

Da esquerda para a direita: Nagnouma Coulibaly (Mali), Leia Dongue (Moçambique), Astou
Traoré (Senegal), Evelyn Akhator (Nigéria) e Italee Lucas (Angola).

Foto: FIBA

 


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Andre Zorzi
Admirador e pesquisador do futebol africano, André é formado em Jornalismo pela PUC-SP com passagem pelo o Estado de São Paulo. O seu encantamento pelo futebol da África Subsaariana começou em 2006, quando ele passou a acompanhar os jogos da seleção do Togo na Copa do Mundo da Alemanha.

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