Guiné-Bissau se despede da Copa Africana com campanha honrosa

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Guinea Bissau Team Picture during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix
Guinea Bissau Team Picture during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix

Por André Carlos Zorzi, Por dentro da África

Além de ter sido a única estreante na atual edição da CAN, a Guiné-Bissau também era a única representante lusófona presente no torneio.

Com uma equipe formada por atletas de clubes da Grécia, Espanha, Noruega, Turquia, Itália, Coréia do Sul e principalmente de equipes menores de Portugal, a expectativa era de que a equipe tivesse dificuldades diante de adversários mais experientes.

PREPARAÇÃO

Às vésperas do torneio, a equipe chegou a recusar-se a realizar alguns treinamentos por conta de uma suposta falta de pagamentos pela classificação por parte de dirigentes, problema que não ameaçou a participação dos “Djurtus”, como são conhecidos os jogadores.

Além disso, diversos atletas recusaram a convocação para o torneio, a maioria do futebol português: Gerso Fernandes (Belenenses), Vasco Fernandes (Vitória de Setúbal), Carlos Embalo-Abna (Palermo-Itália) e Jânio Biguel (NEC-Holanda). Além deles, Yazalde Pinto e Eliseu Cassamá, ambos do Rio Ave, haviam demonstrado interesse, mas também recusaram a participação posteriormente.

Muitos destes jogadores possuem dupla nacionalidade e ainda sonham em representar a seleção de Portugal, o que seria impossível após atuarem pela Guiné em um torneio oficial.

Exemplos para se espelharem não faltam: o atacante Éder, autor do gol do título português na última Eurocopa, é nascido na Guiné-Bissau, assim como Bruma, outro atleta que ja disputou partidas oficiais por Portugal, Edgar Ié, convocado para a disputa da Eurocopa sub-19, e Carlos Mané, presente no time português na última Olimpíada.

Brito E Silva Toni of Guinea Bissau challenges Yacouba Coulibaly of Burkina Faso during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix
Brito E Silva Toni of Guinea Bissau challenges Yacouba Coulibaly of Burkina Faso during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix

A CAMPANHA

O que se viu em campo, porém, foi um time valente e aguerrido que conseguiu resultados expressivos.

Logo em sua estreia, empatou no último minuto com o Gabão, time da casa, num estádio com toda a torcida contra, graças a um gol do zagueiro Juary Soares, após cobrança de falta.

Na segunda rodada, diante da sempre respeitada seleção camaronesa, o audacioso meia Piqueti arrancou com a bola de seu campo de defesa, efetuou belíssimos dribles e marcou um golaço, como há tempos não se via numa CAN, e que tem tudo para ser escolhido como o melhor do torneio em breve, já que dificilmente será superado.

Porém, na etapa complementar o time não soube administrar o resultado e a camisa camaronesa pesou, virando o placar do jogo.

Mesmo assim, a equipe chegou à última rodada da fase de grupos com chances reais de classificação. Com o empate na outra partida (disputada simultaneamente e findada em 0 x 0), bastaria aos guineenses vencer por qualquer placar para avançar. Porém, acabaram derrotados por 2 x 0.

Burkina Faso celebrate goal during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix
Burkina Faso celebrate goal during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix

FUTURO

Para a próxima edição do torneio, em 2019, a Guiné encontra-se no Grupo K das eliminatórias, ao lado da Zâmbia, equipe que já superou no último qualificatório, além de Moçambique e Namíbia.

Caso consiga manter a base da equipe, tem boas chances de se classificar como campeão do grupo, ou como um dos três melhores segundos colocados.

 

Confira abaixo os resultados da Guiné-Bissau na CAN 2017:

Guiné-Bissau 1 x 1 Gabão

Chutes (a gol):

11 (3) x 7 (3)

Posse de bola:

48% x 52%

Guiné-Bissau 1 x 2 Camarões

Chutes (a gol):

8 (4) x 17 (6)

Posse de bola:

42% x 58%

Guiné-Bissau 0 x 2 Burkina Faso

Chutes (a gol):

13 (3) x 7 (1)*

Posse de bola:

54% x 46%

*O outro gol de Burkina foi contra e não entrou nas estatísticas como chute a gol

Burkina Faso Fans during the Afcon Group A match between  Guinea Bissau and Burkina Faso  on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix
Burkina Faso Fans during the Afcon Group A match between Guinea Bissau and Burkina Faso on the 22 January 2017 at Franceville , Gabon Pic Sydney Mahlangu/ BackpagePix

 LUSOFONIA

Com a participação da Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe se tornou o único país a  jamais ter participado de uma CAN.

As melhores participações na história do torneio foram conquistadas por Angola (2008 e 2010) e Cabo Verde (2012 e 2013), quando chegaram às quartas de final do torneio.  Moçambique e Guiné-Bissau, jamais avançaram da 1ª fase.

Veja como se saiu cada equipe lusófona nas Eliminatórias para a CAN 2017:

Cabo Verde: Vice-líder do Grupo F (classificou-se o Marrocos), com 9 pontos. Caso tivesse vencido a Líbia em casa, na última rodada, teria se classificado. Acabou perdendo por 1 x 0 e ficando de fora do torneio após duas participações consecutivas.

 Moçambique: Vice-líder do Grupo H (classificou-se Gana), com 7 pontos. Entre os vice-líderes dos grupos, teve a segunda pior campanha, passando longe de uma vaga como melhor segundo colocado. Com uma campanha irregular, foi capaz de parar Gana (0 x 0), mas derrotas para a Ruanda em casa, e Ilhas Maurício, fora, fizeram com que não se classificassem.

Angola: 3ª colocada do Grupo B (classificou-se o Congo-Kinshasa) , com 5 pontos. Venceu apenas na estreia (junho de 2015), goleando a República Centro-Africana por 4 x 0.

São Tomé e Príncipe: Lanterna do grupo F (classificou-se o Marrocos), com 3 pontos. Conquistou histórica virada sobre a Líbia, em casa, por 2 x 1. Sofreu goleadas diante de Cabo Verde (7 x 1) e Líbia (4 x 0).

Confira abaixo o grupo das equipes lusófonas nas eliminatórias para a próxima CAN em 2019:

Grupo I: Angola, Burkina Faso, Botsuana e Mauritânia

Grupo K: Guiné-Bissau, Moçambique, Zâmbia e Namíbia

Grupo L: Cabo Verde, Uganda, Tanzânia e Lesoto

São Tomé e Príncipe disputará a fase preliminar contra Madagascar. Caso avance, integrará o Grupo A, com Senegal, Guiné Equatorial e Sudão.

Relembre também a campanha da Guiné-Bissau nas Eliminatórias para a CAN 2017: http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/guine-bissau-conquista-classificacao-inedita-para-a-copa-africana-de-nacoes


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