Após 28 anos, Egito volta à Copa do Mundo

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Foto - FIFA
Foto – FIFA

Por Andre Carlos Zorzi, Por dentro da África

Duas seleções africanas garantiram presença na próxima Copa do Mundo de futebol, que será disputada na Rússia em 2018: Egito e Nigéria.

Egito – 28 anos depois, o fim da espera

No estádio Borg El Arab, em Alexandria, os egípcios receberam o já eliminado Congo-Brazzaville, precisando de uma vitória simples para conseguir a classificação, já que Uganda havia empatado com Gana no dia anterior.

O gol surgiu aos 17’ do segundo tempo, quando El Neny, próximo ao meio-campo, fez um cruzamento pelo lado direito. Um defensor congolês tentou cabecear para afastar o perigo, sem sucesso. A bola sobrou para Salah, marcado por Itoua, adentrar na área e tirar a bola do goleiro. 1 x 0.

Quando tudo parecia definido e o relógio marcava 41’, Etou-Thomaso apareceu pelo lado direito e tocou a bola para Bifouma. O atacante cruzou e a bola viajou pela área, até encontrar Moutou, que havia entrado em campo minutos antes, em velocidade pela esquerda. 1 x 1.

Aos 47’ e meio, porém, veio o lance decisivo: Hegazi fez passe pelo alto para o centro da área. Trezeguet sofreu falta de Itoua e foi ao chão. Pênalti para o Egito.

Mohamed Salah, atacante do Liverpool, teve a responsabilidade de chutar com força no lado direito do gol. O goleiro caiu para o outro, e a festa tomou conta das arquibancadas, já aos 49’. 2 x 1.

https://www.youtube.com/watch?v=6Iip4gody4c

Uma das equipes mais tradicionais no futebol africano, o Egito teve a oportunidade de disputar apenas duas Copas do Mundo em sua história: em 1934, na Itália, quando tornou-se a primeira nação a representar a África no torneio, e em 1990.

O resultado ainda teve um gosto especial pelo fato de a equipe ter sido sorteada no mesmo grupo que Gana, que lhe havia eliminado na última fase das eliminatórias para a Copa de 2014, com uma sonora goleada por 6 x 1. No Egito, desta vez, houve vitória por 2 x 0. O jogo em Gana ficou reservado para a última rodada, e será um ‘amistoso de luxo’ para os comandados do argentino Hector Cúper.

É bastante provável que El Hadary, goleiro e capitão da equipe nas eliminatórias, quebre um recorde na Rússia: o de jogador mais velho a entrar em campo, uma vez que estará com 45 anos à altura do mundial, dois a mais que Faryd Mondragon, colombiano detentor do recorde, tinha em 2014.

Confirmação nigeriana

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Aos 21’ do segundo tempo, um momento decisivo: o treinador alemão Gernot Rorh tira Simon de campo para a entrada de Iwobi. Seis minutos depois, Victor Moses apareceu no campo ofensivo e, marcado por dois adversários, tocou para Shehu, pela direita. O jogador se aproximou da linha de fundo e tocou a bola de forma rasteira, para o centro da área. O próprio Iwobi concluiu para fazer o gol da vitória e da classificação nigeriana.

Curiosamente, o jogador é sobrinho de Augustine Jay-Jay Okocha, considerado um dos melhores futebolistas nigerianos de todos os tempos.

Após uma grande campanha na fase de grupos, parecia apenas questão de tempo para que os nigerianos confirmassem a vaga no mundial.

A boa campanha acabou sendo uma surpresa, levando em conta os resultados recentes da seleção. Após sagrar-se campeã da Copa Africana de Nações em 2013 e ter chegado às oitavas de final da Copa do Mundo em 2014, sendo derrotada pela França, a equipe falhou em classificar-se aos continentais de 2015 e 2017.

A Nigéria participará de sua sexta Copa. Antes, estiveram presentes em 1994, 1998, 2002, 2010 e 2014, mantendo-se atrás apenas de Camarões em quantidade de participações.

Classificação após a 5ª rodada:

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Mohamed Salah celebrates after scoring for Egypt against Congo on Sunday night. Photo: Ali Haider/BackpagePix
Mohamed Salah celebrates after scoring for Egypt against Congo on Sunday night. Photo: Ali Haider/BackpagePix

Vagas em aberto

Oito seleções ainda brigam pelas três vagas em aberto para a Copa do Mundo. Veja abaixo o que cada uma precisa para se classificar!

Grupo A

Ambas as equipes com chances jogam em casa na última rodada, diante de times já eliminados.

A Tunísia precisa de um simples empate diante da Líbia para se classificar à Copa. Caso perca, depende de um tropeço diante do Congo, ou levar a melhor nos critérios de desempate.

O Congo-Kinshasa, por sua vez, precisa vencer a Guiné-Conacri e torcer por derrota da Tunísia para levar a decisão ao saldo de gols (atualmente, +7 e +5. Em caso de empate, ambos tem 11 gols pró cada, e vantagem de confronto direto para a Tunísia).

Grupo C

O Marrocos visita a Costa do Marfim na derradeira partida. Quem vencer, está na Copa. Em caso de empate, a vaga fica com os marroquinos.

Grupo D

Por conta da anulação da vitória sul-africana sobre o Senegal, causada pela atuação do juiz Joseph Lamptey na partida, o grupo ainda está em aberto. Porém, a situação é bastante complicada para Cabo Verde e Burkina Faso, que já não dependem apenas de si para avançar.

Para as duas, é preciso que uma das partidas entre África do Sul e Senegal acabe empatada, e a outra, com vitória da África do Sul. Neste caso, o vencedor do confronto entre Burkina e Cabo Verde da última rodada disputaria a liderança com o Senegal no saldo de gols. Atualmente, o Senegal possui +4, Burkina Faso zero e Cabo Verde -4.

Para a África do Sul, a conta é simples: vencendo as duas partidas, está dentro da Copa. Quaisquer outros resultados significam eliminação.

Penúltima rodada:

Grupo A

Após sair perdendo no placar, a Tunísia foi capaz de golear a Guiné-Conacri por 4 x 1 fora de casa. Nos acréscimos da partida, o capitão guineense Naby Keita deu um tapa em Ben Amor durante disputa de bola e foi expulso.

O Congo-Kinshasa venceu a Líbia em partida realizada na Tunísia, uma vez que os líbios não estão recebendo jogos oficiais no país, por 2 x 1.

Grupo B

Além da vitória da Nigéria sobre a Zâmbia por 1 x 0, o grupo contou com triunfo camaronês sobre a Argélia por 2 x 0 no duelo entre eliminados que garantiu a lanterna para os argelinos.

Grupo C

Jogando fora de casa, a Costa do Marfim foi parada pelo Mali em um 0 x 0 que lhe custou a liderança do grupo. O Marrocos foi impiedoso e aplicou 3 x 0 sobre o Gabão.

Grupo D

Poucos torcedores foram ao Soccer City assistir ao triunfo sul-africano de 3 x 1 sobre a Burkina Faso. O placar começou a ser construido graças a um lance polêmico no primeiro minuto de jogo, quando a bola bateu em uma trave e foi afastada pelo goleiro – porém, o juiz afirmou que ela passou completamente a linha e validou o lance.

Lance do 1º gol sul-africano

Os três gols da equipe foram marcados ainda no primeiro tempo. Aos 22’, Zungu foi expulso, mas nada que abalasse a moral dos donos da casa. Aos 41’, Alain Traoré descontou para a Burkina, de falta, mas já era tarde demais.

Cabo Verde, por sua vez, aguentou até os 36’ do segundo tempo, quando sofreu o gol senegalês jogando em casa. Nos acréscimos, veio o golpe final: 2 x 0.

Grupo E

No dia anterior à classificação egípcia, Uganda e Gana empataram em 0 x 0, em partida com arbitragem polêmica. Após a partida, a federação ganesa emitiu um comunicado em suas redes sociais solicitando que o jogo fosse remarcado – o que não deve acontecer.

Confira a íntegra:

“A Federação de Futebol de Gana apresentou um protesto com a FIFA sobre a performance do juiz D. Bennett e seus auxiliares E. Adelaide e S. Marie durante a eliminatória para a Copa do Mundo de 2018 contra Uganda.

A Federação preencheu o protesto para a FIFA imediatamente após a partida no Estádio Nacional Mandela em Campala. O Sr. Bennett e seus assistentes invalidaram para Gana um gol perfeito no 93º minuto, com replays de televisão mostrando que era um gol perfeito.

O juiz também não deu a Gana um pênalti anteriormente no segundo tempo, quando o meio-campista de Gana Frank Acheampong foi trazido ao chão na área.

Essas e várias outras decisões pelos oficiais da partida deixam a Federação de Futebol de Gana sem nenhuma opção senão pedir à FIFA para examinar suas performances. A Federação de Futebol de Gana pede respeitosamente à FIFA que considere a possibilidade de m novo jogo para servir aos fins de justiça, sem medo ou favor.”


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Andre Zorzi
Admirador e pesquisador do futebol africano, André é formado em Jornalismo pela PUC-SP com passagem pelo o Estado de São Paulo. O seu encantamento pelo futebol da África Subsaariana começou em 2006, quando ele passou a acompanhar os jogos da seleção do Togo na Copa do Mundo da Alemanha.