Vozes da UNILAB: Série aborda os impactos da Covid-19 no continente africano

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Vozes da UNILAB

Com informações de Vozes da UNILAB

“O conhecimento sem sabedoria é como água em areia”, este é uma dito guineense que abre o primeiro episódio de uma série do podcast Vozes da UNILAB dedicado a pensar nos impactos da Covid-19 em um horizonte pan-africanista. O provérbio faz uma distinção entre ter conhecimento de ou sobre algo e ter a sabedoria para aplicar o que se sabe de modo efetivo.

A distância entre conhecimento e sabedoria tem muito a ver com o cuidado com a palavra, não só no cultivo do dizer, mas na tão pouco cultivada sabedoria de ouvir, dialogar para chegar a uma resposta sobre a melhor e mais efetiva forma de agir em cada contexto. Neste momento em que a pandemia deixa um lastro de desorientação, aproximar conhecimento e sabedoria é um grande desafio. O projeto desta série especial começou com um episódio piloto sobre como o hip-hop surgia nos espaços africanos como ferramenta de enfrentamento da Covid-19.

A seguir, buscamos consolidar o projeto convidando pessoas para conversar e problematizar aspectos do contexto de enfrentamento da pandemia. Neste sentido, no episódio número 1 da série entrevistamos o cientista social Elísio Macamo, que tratou da reação à Covid-19 e o significado do Estado de Emergência para os países africanos. Macamo é moçambicano, professor na Universidade da Basileia, na Suíça. Esta entrevista foi realizada no dia 7 e lançada no dia 14 de Abril.

O segundo episódio, lançado no dia 5 de maio, traz uma entrevista com o professor, filósofo, jornalista e músico Filomeno Lopes. Conversamos com Lopes sobre os impactos da Covid-19 vistos de uma perspectiva pan-africanista, a situação na Itália, a atuação do Papa Francisco e da necessidade ampla de uma reinvenção dos seres humanos numa direção mais colaborativa e solidária.

Vozes da UNILAB

Filomeno Lopes em sua obra filosófica destaca a necessidade de que as tradições africanas de cultivo da palavra e do diálogo sejam preservadas e ganhem uma relevância institucional maior dentro da organização das práticas públicas. Amílcar Cabral deixou a lição da necessidade de melhor pensar para melhor agir. E se pudéssemos construir uma roda de conversa, nos reunir – ainda que virtualmente – “em volta do fogo” para tratar dos problemas que a pandemia trouxe para a população negra em um horizonte global… talvez ajudássemos a preparar um solo mais firme e fértil para quem deve inventar e fazer brotar o futuro. Talvez pudéssemos aproximar conhecimento e sabedoria construindo e redescrevendo práticas.

Severino Ngoenha

No terceiro episódio conversamos com o filósofo Severino Ngoenha. Nascido em 1962 em Maputo, Ngoenha é reconhecido como um dos mais importantes nomes da filosofia africana contemporânea, sendo uma liderança intelectual incontestável na construção da filosofia africana nos países de língua oficial portuguesa. Autor de diversos livros, estudado em artigos e teses, Ngoenha além do reconhecimento como pesquisador e professor, tem uma importante atuação no desenvolvimento institucional de centros de pesquisa e qualificação. É reitor da Universidade de Moçambique.

Severino Ngoenha abordou os desafios que a pandemia da Covid-19 trazem para a filosofia africana; a necessidade de descolonização radical dos modos de pensar, agir e conhecer; e de como a temporalidade de urgência pede autorreflexão e transformação nas formas de vida e na relação com a natureza. Esta entrevista foi realizada no dia 13 de Maio em diálogo com o professor Marcos Carvalho Lopes.

O Vozes da UNILAB é um podcast desenvolvido na Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira, como parte do projeto de pesquisa e extensão botAfala. Ouça sua voz!

Responsáveis: Marcos Carvalho Lopes, Eugênio da Silva Evandeco, José Matias DalaFilipe, Magnusson da Costa e Suleimane Alfa Bá.


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