Vítimas de crises humanitárias vivem 24 anos menos do que restante da população mundial

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A young Syrian refugee carries his brother across the border between Greece and Macedonia, near Eidomeni, Greece.
A young Syrian refugee carries his brother across the border between Greece and Macedonia, near Eidomeni, Greece.

Com informações da ONU

Se todas as pessoas em crises humanitárias vivessem em uma única nação, a população do país fictício teria uma expectativa média de vida de apenas 47,2 anos de idade. A taxa de mortalidade materna seria de 325,8 óbitos a cada 100 mil nascimentos. Menos da metade dos indivíduos — 40,5% — teria acesso a fontes de água tratada e apenas 49% teriam sido vacinados para sarampo.

O diagnóstico foi publicado nesta semana (12) pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em plataforma que simula a existência de um Estado que concentraria os 125 milhões de homens e mulheres, idosos e crianças em situação de emergência.

Dados utilizados são de 2015 e anos anteriores e foram coletados de outros organismos da ONU, como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Banco Mundial. A análise compara a média nacional do território imaginário com a média global para diferentes índices de saúde e acesso a serviços e trabalho.

Embora alguns indicadores apresentem diferenças significativas, como a mortalidade materna — calculada em 216 no mundo, em 2015, contra 325,8 do país de crise —, outros, como o desemprego, a mortalidade infantil e a fome, estiveram preocupantemente próximos e mostraram até mesmo uma inversão no padrão esperado.

A desocupação no Estado em crise humanitária seria de 6,5%. No planeta, a média de desemprego é de 5,9%. A prevalência de subnutrição afetaria 9,8% da população do país fictício, ao passo que, no mundo, o índice estimado é de 10,8%.

A mortalidade entre crianças com menos de cinco anos de idade seria maior no restante do globo do que na nação em crise, atingindo a média global de 51,5 mortes a cada mil crianças e a média nacional de 39,8.

A taxa de fertilidade no país seria de 3,6 crianças por mulher — número mais alto do que o verificado globalmente (2,9). A diferença é reflexo da ausência de serviços de planejamento familiar, que cobre 63,5% da população mundial, mas alcançariam apenas 39,8% dos habitantes da nação em crise.

O levantamento também aponta que o saneamento básico é um grave problema em situações de emergência humanitária. Serviços estão disponíveis apenas para 27,1% da população vivendo sob crise.

Sintoma de uma conjuntura geral de falta de serviços e recursos, a expectativa de vida das pessoas dessa nação imaginária: vítimas de desastres naturais e guerras vive 24,3 anos menos do que a população mundial — cuja expectativa de vida foi calculada em 71,5 anos.



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