Vice-chefe da ONU pede renovação da promessa a Agenda 2030 após retrocessos

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Deputy Secretary-General Amina Mohammed – Foto de ONU

Com informações da ONU Brasil

O Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF) terminou na quinta-feira (15), após oito dias de deliberações. No encerramento do evento que avalia o progresso da Agenda 2030, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, observou que um ano de “desafios imensos” reverteu o progresso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Mohammed atribuiu o retrocesso à pandemia de COVID-19, que também atrasou a ação em muitas das principais transições necessárias para cumprir as metas para 2030. Segundo ela, a pandemia teve um “impacto profundamente negativo” na saúde e no bem-estar; emprego, negócios, renda, educação; e os direitos humanos, com “um efeito particularmente prejudicial para as mulheres e meninas”.

Exemplos de sucesso – Ao longo do Fórum, durante o qual nove Objetivos Globais e 47 Relatórios Nacionais Voluntários foram examinados em profundidade, muitos participantes observaram que algumas das medidas postas em prática durante a pandemia poderiam fornecer uma base para o progresso dos ODS.

Mohammed deu exemplos de aprendizagem digital, que podem ajudar a transformar a educação de forma mais ampla, juntamente com a construção de um apoio fiscal crítico que muitos países têm fornecido para sua economia, empregos e pessoas.

“Os governos devem agora considerar se algumas dessas medidas podem ser integradas em sistemas abrangentes de proteção social”, disse a vice-secretária-geral.

Recuperar melhor – Mohammed defendeu que os esforços de recuperação devem ser projetados para reiniciar as economias e acelerar a implementação dos ODS.

Segundo ela, os pacotes de estímulo e os Direitos Especiais de Saque para reservas em moeda estrangeira liberados durante a pandemia podem ser aproveitados para promover a igualdade de gênero, aumentar o investimento em educação, saúde e proteção social. Eles também podem ser usados ​​para acelerar a mitigação das mudanças climáticas e gerar empregos decentes.

Mas não pode haver recuperação da pandemia sem “solidariedade e cooperação internacional”, inclusive por meio de financiamento climático e financiamento para o desenvolvimento, acrescentou.

Pandemia ‘ainda está enfurecida’ – Para muitas nações em desenvolvimento, “a pandemia ainda está forte, pessoas ainda estão morrendo em níveis inaceitavelmente altos e as economias estão em apuros”, destacou Mohammed.

“Devemos apoiar esses países em sua resposta à pandemia de COVID-19 e em uma melhor recuperação para acelerar a implementação dos ODS”, pediu a vice-chefe da ONU.

Além do acesso universal a vacinas que salvam vidas, esse apoio deve ser também econômico. Para Mohammed, é necessário fornecer “uma tábua de salvação financeira” para os Estados que enfrentam grandes pressões de dívida, bem como para mobilizar recursos, tecnologia, conhecimento e parcerias para “facilitar a transformação econômica”.

A vice-chefe da ONU afirmou aos ministros que o sistema de desenvolvimento das Nações Unidas está empenhado em “apoiar totalmente este esforço”.

Promessa renovada – Segundo Mohammed, com “liderança política, solidariedade e unidade de propósito, podemos acabar com a pandemia, garantir melhorias na vida das pessoas até 2030 e cumprir a promessa da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.

“Não devemos abandonar nossa ambição coletiva quando as necessidades nunca foram maiores”, concluiu.

*A Agenda 2030 é uma agenda alargada e ambiciosa que aborda várias dimensões do desenvolvimento sustentável (sócio, econômico, ambiental) e que promove a paz, a justiça e instituições eficazes. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm como base os progressos e lições aprendidas com os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos entre 2000 e 2015, e são fruto do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo. A Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são a visão comum para a Humanidade, um contrato entre os líderes mundiais e os povos e “uma lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta”.