São Paulo: Palestra abordou o conflito armado na República Democrática do Congo

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drc-Por Gláucia Quênia (estudante de Serviço Social) e Christ Kamanda (jornalista) 

Dia 30 de junho, a sala Galeria Olido no centro de São Paulo, sediou a conferência “O conflito armado da República Democrática do Congo no espaço geopolítico do mundo: imperialismo capitalista e guerra econômica”. O evento foi marcado por palestras de especialistas em geografia e história política para explicar o contexto que envolve o conflito que já dura duas décadas.

A data foi escolhida para marcar dois momentos importantes: a independência da Bélgica que ocorreu há 56 anos, dia 30 de junho de 1960, e a sensibilização da comunidade internacional sobre a exploração e os abusos que acontecem no país desde o início da guerra, em 1996. Entre os participantes, estavam o professor Luis Antônio Bittar Venturi, do Departamento de Geografia da FFLCH – USP; Pitchou Luambo, advogado e mestrando em Relações Internacionais pela FESPSP e Christ Kamanda, jornalista e pesquisador em geopolítica.

Com o tema “O Congo e seus recursos naturais”, o professor Luis Venturi falou sobre a localização, aspectos físicos, recursos naturais e aspectos sociais de um país que possui mais de 70 milhões de habitantes e mais de 250 etnias.

DRC - Mining
DRC – Mining

A República Democrática do Congo é o segundo maior país africano em área e um dos mais ricos do mundo em recursos naturais. Durante o encontro, o professor listou as riquezas do país como cobre, ouro, ferro, urânio, zinco e coltan. O país é o maior produtor mundial de coltan, fundamental para a indústria eletrônica. Em seu território, estão mais de 80% de reservas mundiais do minério.

O congolês Pitchou Luambo se dedicou ao tema “História política e conflito armado”. Segundo Pitchou, a violência e exploração de Leopoldo II, rei da Bélgica, começaram quando ele tomou posse do país após a Conferência de Berlim. Na época, a borracha e o marfim eram as principais fontes de enriquecimento do rei. Porém, todo o trabalho era feito com mão-de-obra escrava. Dentre os seus atos desumanos, a mutilação era uma das punições mais aplicadas.

Por motivos políticos, após a tomada de posse por Leopoldo II, o país passou a ser chamado de Estado Livre do Congo (1885), Congo Belga (1908) e República Democrática do Congo-Kinshasa em 1960. Entre os homens que lutaram pela independência está Patrice Lumumba, considerado um herói nacional. Em 1971, o das Forças Armadas da República Democrática do Congo,  Mobutu, trocou o nome do país para Zaire.

Christ Kamanda
Christ Kamanda – Divulgação

Para finalizar o encontro, o também congolês Christ Kamanda levou o tema “Geopolítica, imperialismo capitalista e guerra econômica”. O jornalista analisou os papéis dos atores da guerra, a influência dos fatores geo-estratégicos e como a matéria-prima é indispensável para a sobrevivência das potências econômicas mundiais.

‘Essa é uma guerra geoestratégica da exploração dos recursos naturais pelas grandes potências ocidentais por meio das empresas multinacionais que alimentam o conflito’, afirmou o pesquisador Christ – lembrando que são quase 20 anos de guerra, com a participação de milícias e grupos rebeldes de países vizinhos.

Os crimes cometidos por guerrilheiros também envolvem estupros e recrutamento de crianças. Apesar de ser a maior e mais cara missão desde a criação da ONU, infelizmente, após 16 anos de Missão das Nações Unidas de Estabilização da República Democrática do Congo, o conflito permanece.

No final do evento, os participantes deram seus pontos de vista sobre a guerra e afirmaram a necessidade de trabalhar para sensibilizar a opinião mundial e denunciar as atrocidades contra os congoleses que vivem naquela região.

 


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