Rafael Marques é eleito Herói Mundial da Liberdade de Imprensa

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Rafael Marques, 2015 |©Alex Bener
Rafael Marques, 2015 |©Alex Bener

Com informações do International Press Institute

O jornalista e ativista angolano Rafael Marques foi nomeado o 70º Herói Mundial da Liberdade de Imprensa do Instituto Internacional da Imprensa (International Press Institute – IPI). O prêmio homenageia jornalistas que tenham dado uma contribuição significativa para a promoção da liberdade de imprensa, particularmente diante do elevado risco pessoal.

A entrega do prêmio será durante cerimônia especial em 22 de junho em Abuja, Nigéria, onde também será realizado o Congresso Mundial e Assembléia Geral anual do IPI. A Diretora-Executiva do instituto, Barbara Trionfi, saudou Marques pela sua dedicação à procura da verdade em um ambiente implacável para a liberdade de imprensa.

“Apesar da repressão sistemática dos meios independente em Angola, Rafael Marques tem conseguido – correndo grande risco pessoal – fazer incidir uma luz no abuso de poder ao nível mais elevado com coragem e persistência”, disse ela. “Através dos seus artigos, livros e pesquisa, o senhor Marques tem levado a cabo o tipo de jornalismo de vigilância que os meios controlados pelo Estado do país não conseguem concretizar, proporcionando um serviço essencial ao público Angolano e à comunidade internacional.”

Leia a reportagem de Por dentro da África com Rafael Marques e assista o vídeo abaixo: 

Rafael iniciou a sua carreira como repórter no jornal estatal Jornal de Angola em 1992, antes de ser demitido devido à sua determinação em desviar-se da linha traçada pelo então presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que governou entre 1979 e 2017.

Em 1999, quando publicou um artigo no semanário independente Agora descrevendo José Eduardo dos Santos como um ditador responsável por destruir o país e promover a incompetência e a corrupção, o jornalista foi preso e acusado de difamação. Acabou passando 43 dias em prisão preventiva antes de ser condenado a uma pena de prisão de seis meses em março de 2000. Mais tarde, o Tribunal Supremo de Angola reduziu a pena para uma sentença suspensa.

Em 2008, ele fundou o site Maka Angola, que trata de investigação sobre corrupção envolvendo líderes com posições de destaque nas esferas da política, negócios e militar de Angola. A sua obra mais conhecida internacionalmente, o livro Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola, de 2011, detalhou alegações de homicídio, agressão, detenção arbitrária e deslocamento forçado de civis com relação à lucrativa indústria de mineração de diamantes do país. Depois que um grupo de altos generais angolanos mencionados no livro ter apresentado queixas, Rafael recebeu novamente uma sentença suspensa de seis meses por difamação.

No início dos anos 2000, o ativista também reportou de forma preeminente sobre corrupção e os alegados abusos militares na província de Cabinda, rica em petróleo, que abrigam um movimento separatista de longa data. Mais recentemente, publicou o relatório “O Campo da Morte – Relatório sobre execuções sumárias em Luanda, 2016-2017”. Neste momento, o jornalista angola está sendo processado pelo ex-procurador da República de Angola. A próxima audiência será no dia 15 de junho.

*O International Press Institute (IPI) é a mais antiga organização mundial dedicada à promoção do direito à informação. Somos uma rede global de jornalistas e editores que trabalham para salvaguardar a liberdade de imprensa e promover a livre circulação de notícias e informação, bem como a ética e o profissionalismo na prática do jornalismo.


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