Governo reprime com violência protestos na República Democrática do Congo

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Demonstrators at the Echangeur de Limete, Kinshasa, capital of the Democratic Republic of the Congo (DRC). Photo: Habibou Bangre/IRIN
Demonstrators at the Echangeur de Limete, Kinshasa, capital of the Democratic Republic of the Congo (DRC). Photo: Habibou Bangre/IRIN

Natalia da Luz, Por dentro da África

Em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, manifestações reprimidas violentamente pelo governo deixaram, pelo menos, 5 mortos e cerca de 130 feridos. Os protestos, realizados no dia 31 de dezembro de 2017, pediam a saída do presidente Joseph Kabila. Organizadores da marcha falam de 12 mortos.

O atual governante, que deveria ter deixado o cargo no final de 2016, parece desejar o poder por tempo indeterminado. Somando os 15 anos de Kabila e do seu pai, que assumiu o comando do país após a queda de Mobutu Sese Seko, em 1997, já são mais de 20 anos de comando.

“Os organizadores do protesto queriam que Kabila (People’s Party for Reconstruction and Democracy) fizesse uma declaração pública afirmando que não seria candidato nas futuras eleições. Segundo o acordo entre o governo e oposição, as eleições deveriam acontecer em dezembro 2017. Além das eleições, o acordo abrangeria libertação dos presos políticos, volta dos políticos exilados e formação de um governo de união com a oposição”, disse ao Por dentro da África, o ativista Charly Kongo.

Charly, que vive no Brasil há quase uma década e acompanha os acontecimentos em seu país a partir do contato diário com amigos e parentes, lembra que, no ano passado, muitos congoleses foram às ruas para pedir a saída do presidente. No Brasil, dezenas deles se reuniram no Rio de Janeiro em uma marcha pela Praia de Copabana, realizada em novembro de 2016.

O acordo, elaborado com o apoio de mediadores da Conferência Episcopal Nacional do Congo, permitiu ao presidente permanecer no poder após o término de seu mandato e definiu que eleições pacíficas, credíveis e inclusivas seriam organizadas até o final de dezembro de 2017. Como foi mediadora do acordo, um comitê de dentro da Igreja Católica organizou o protesto para lembrar que o governo não havia cumprido o combinado.

Joseph Kabila - Foto - Divulgação
Joseph Kabila – Foto – Divulgação

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“Dentro e fora da República Democrática do Congo, cidadãos mostram insatisfação diante da instabilidade política do país. Nas redes sociais, a mobilização é maior, já que nas ruas a repressão é constante. A oposição não consegue enfrentar o poder do Kabila. O filho do Étienne Tshisekedi (líder da oposição – Union for Democracy and Social Progress – que morreu no ano passado) sucedeu ao pai, mas infelizmente não tem o mesmo carisma. O Moise Katumbi, outro líder, está no exílio. Se voltar será preso”, explica Charly.

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O país foi palco da primeira Guerra do Congo (entre 1996-1997) e da Segunda Guerra do Congo (entre 1998-2002), mas em Kivu, região leste do país, o conflito entre milícias e governo permanece. Essa instabilidade demanda a maior missão de paz das Nações Unidas, a MONUSCO, que existe desde 2010.

Nas fronteiras do país, milícias, rebeldes, empresas de exploração de minérios e governos participam de uma guerra que fere a dignidade dos congoleses e seus vizinhos. A República Democrática do Congo possui, pelo menos, 64% das reservas mundiais de coltan. Mistura dos minerais columbite e tantalite, o coltan é imprescindível para a fabricação de eletrônicos portáteis (como celulares, notebooks, computadores automotivos de bordo).

Veja mais: “Diáspora congolesa e o apelo aos nossos irmãos”, por Charly Kongo  

Assista ao vídeo da marcha que reuniu congoleses no Rio de Janeiro

 

 


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