Angola: Governo proíbe manifestação contra Isabel dos Santos

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Isabel dos Santos – Bruno Fonseca – Landov

Por Fernando Guelengue, Por dentro da África

A reportagem do Por dentro da África fez uma ronda em vários municípios da capital mais cara do mundo, Luanda, para conversar com cidadãos sobre a manifestação convocada para este sábado, dia 26. O protesto foi marcado para pedir a saída de Isabel dos Santos, filha do presidente, do posto de presidente da Sonangol, petrolífera estatal angolana. Nesta sexta-feira, autoridades de Luanda proibiram a manifestação.

O Grupo Sonangol é formado por várias subsidiárias e responsável pela área de pesquisa, exploração, prospeção e produção de hidrocarbonetos.

Morador de Cacuaco, o jovem taxista Pedro Paulo, que trabalha no ramo há mais de cinco anos, afirmou que a situação econômica do país está difícil e é preciso fazer qualquer coisa para sustentar a família (com cinco filhos, mãe, mulher e dois irmãos menores).

>”Pensamos que, como filha do presidente, ela deveria sair para baixar o preço do petróleo para facilitar a vida do cidadão, para fazer justiça, mas, talvez, isso seja uma fantasia”, disse o angolano.

Foto – Ruas de Viana – ANGOP

Passamos pelo município de Viana, local onde há um elevado número de opositores do governo. Em vez de subirmos pela ponte amarela, naquela corrida desenfreada que os fiscais do governo monitoram vendedoras ambulantes, aproveitamos a ocasião para falar com mana Tânia, de 38 anos. Mana Tânia conta que tomou conhecimento do protesto pelos clientes que passam pela Vila de Viana.

“Desde a independência (1975), os meus pais olham para toda essa maldade que o partido no poder tem feito, por isso, muitos chegam mesmo a afirmar e duvidar da nacionalidade do presidente da República”, falou, desejando que gostaria de ver uma grande manifestação para criticar a ação das autoridades.

Como o sistema de transporte público é praticamente inexistente, pegamos outro táxi da rota Vila de Viana para avançarmos até o aeroporto. Escolhemos um lugar na última cadeira para melhor observar os passageiros. No interior do táxi, ouvimos comentários sobre a subida dos preços dos produtos essenciais, as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos, o aumento da pobreza, que atinge a maioria da população angolana.

Aeroporto de Luanda – Foto de Rede Angola

“Eu não posso participar de manifestações, mas aconselho todos que participem porque eles, os governantes, não podem brincar assim com o povo”, comentou um jovem militar, que aparentava ser cadete de um dos institutos de formação militar de Viana.

No aeroporto, olhando a nova ponte aérea frequentava pelos cidadãos, conversamos com o segurança de uma dependência bancária. Paulo Guimarães, de 40 anos, ex-militar, disse que está atento aos acontecimentos no país por meio da rádio.

Precisamos fazer alguma coisa antes de morrer porque a minha geração em parte, tem responsabilidade maior no que Angola se transformou”.