Titina Silá e uma homenagem às feministas guineenses

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Ernestina Silá (conhecida como Titina Silá) – Reprodução GBissau

Por Coletivo das Mulheres Africanas

Em 30 de janeiro de 1973, Ernestina Silá (conhecida como Titina Silá), morreu em uma emboscada de militares portugueses enquanto estava a caminho do funeral de Amílcar Cabral na Guiné-Conacri.

Para Amílcar Cabral, ”Titina era uma lutadora incansável, amável, simples, uma pessoa excepcional e uma grande patriota”.

Aos 18 anos, Titina aderiu à militância do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Em 1963, foi fazer estágio político na então União Soviética. Quando retornou à Guiné–Bissau, treinou 95 mulheres detalhando quais eram as razões da luta e porque deveriam combater contra a dominação europeia (portuguesa) na ocasião de seu país.

Em homenagem à heroína Titina morta aos 30 anos e demais feministas guineenses, o Coletivo das Mulheres Africanas da Unilab Campus do Malês faz uma pergunta para reflexão:

QUE LUGAR A MULHER SE ENCONTRA NA SOCIEDADE GUINEENSE?

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Ernestina Silá (conhecida como Titina Silá) – Reprodução GBissau

A cara que podemos dar às mulheres guineenses é de cansaço, sofrimento, mágoa e medo de denunciar. O lema das mulheres que mataram a figura das guerreiras da luta de libertação é “djitu ka tem, ina passa ou djitu ka tem sufri”.

Até quando as mulheres vão honrar e valorizar a luta das feministas que deram a vida para que hoje a mulher guineense possa ter mais conquistas, liberdade e coragem de lutar por uma sociedade justa?

Uma justiça para que a mulher seja capaz de ser alguém na sociedade guineense além de mãe, uma justiça para que ela tenha a capacidade de conquistar o seu lugar e dar vida às outras instituições.

Onde estão as histórias das 95 feministas guineenses que lutaram durante 11 anos pela independência da Guiné–Bissau? Carmem Perreira, Teodora Gomes…? Será que ninguém escreveu sobre elas? Mulheres tiveram medo de escrever por que não tinham liberdade de contar as suas próprias histórias?

Mulher guineense seja Titina naquilo que você fizer!
Mulher guineense seja Titina naquilo que é a sua profissão ou ocupação (desde os cargos mais baixos ate a presidência).

Coletivo das Mulheres Africanas

Viva às mulheres guineenses que tiveram a coragem de dizer basta à violência, basta à desigualdade! Viva à luta, viva à justiça, viva à liberdade! VIVA NÔ MINDJERES! (Viva as nossas mulheres).

Coletivo das Mulheres Africanas
São francisco do Conde – BA, 30 de janeiro de 2017