“O perigo de uma história única”, por Chimamanda Adichie

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Rio – Nascida em Abba, na Nigéria, a escritora Chimamanda Ngozi Adichie usa o seu exemplo de vida para destacar o perigo de uma história única reproduzida. Filha de um professor universitário e de uma secretária, ela cultivou, desde a infância, o gosto pela literatura, principalmente inglesa, até descobrir a africana!

– Quando comecei a escrever, por volta dos sete anos, eu escrevia exatamente os tipos de histórias que eu lia. Todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis. Eles brincavam na neve, comiam maçãs. E eles falavam muito sobre o tempo, em como era maravilhoso o sol ter aparecido, apesar do fato de eu morar na Nigéria – conta a escritora durante sua apresentação no TED (Technology, Entertainment, Design), conferência realizada nos Estados Unidos, que promove a troca de experiências e ideias entre personalidades de diferentes áreas.  

Quando completou 19 anos, Adichie deixou a África rumo aos Estados Unidos. Depois de estudar na Universidade Drexel, na Filadélfia, foi transferida para a Universidade de Connecticut. Fez estudos de escrita criativa na Universidade Johns Hopkins de Baltimore, e mestrado de estudos africanos na Universidade Yale.

– Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando eu disse que, por acaso, a Nigéria tinha o inglês como sua língua oficial. Ela perguntou se podia ouvir a minha “música tribal” e, consequentemente, ficou muito desapontada  quando eu toquei minha fita da Mariah Carey. O que me impressionou foi que: ela sentiu pena de mim antes mesmo de ter me visto.  Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África. Uma única história de catástrofe. Nessa única história não havia possibilidade de os africanos serem iguais a ela – recorda, mencionando a “história única” como um estimulador dos estereótipos.

Chimamanda diz que todos os seus livros falavam sobre personagens estrangeiros. As coisas mudaram quando ela descobriu os livros africanos e percebeu que meninas com a sua cor também tinham espaço na literatura. Seu primeiro romance, Purple Hibiscus, foi publicado em 2003, o segundo, Half of a Yellow Sun, ganhou o Orange Prize para ficção em 2007.

Confira o enriquecedor discurso:

Por dentro da África


17 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia!
    Posso utilizar esse texto em uma das minhas avaliações para as turmas de sexto ano. Sou Professora de História em Salvador.
    Grata

  2. Alguém pode me ajuda com essa questão : relacione o conceito de etnocentrismo com o documentario: O perigo de história unica de chimamanda e faça um comentário critico

  3. Sábias palavras! Ela é muito inteligente. Serve de inspiração para várias pessoas.
    Bom, eu sempre duvidei da história africana e também pesquisei muito a respeito. Atualmente faço faculdade de História e tudo aquilo que duvidei se consolida. O continente tem uma história muito grande e complexa e, cá entre nós, ficar espantada pelo fato da colega de quarto ser nigeriana e não saber que lá fala-se inglês é assinar o atestado de que faltou às aulas de geografia ;)

  4. Graças a Deus, tive a oportunidade de passar por vários países da Africa, inclusive Lagos a capital da Nigéria. Não sei se é porque estou envelhecendo, mas fiquei muito emocionado com a Chimamanda quando ela diz: a língua mais falada na Nigéria é a Inglesa sim, ainda me lembro a dificuldade de entender o porquê dos nomes das ruas serem escrito, em inglês para depois vir outra língua.Também adorei a capacidade intelectual do povo norte-americano,que não tem o menor preconceito de dar atenção aos intelectuais de qualquer parte do planeta, inclusive ela fez algumas colocações sobre as artes africanas, principalmente sobre a música, que nós brasileiros temos que entrar a fundo na música africana. Parabéns nobre escritora Chimammanda!

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  6. Tudo o que eu Amo…diz-me que é Africano ….
    Gosto da sinceridade do que conta do quwe ela foi e é e muitas vezes querendo ser diferente ou achando-a diferente aos olhos de quem está com ela

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