Nunde ki stá? Campanha promove reencontro na Guiné-Bissau

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Virginia Maria Yunes

Por dentro da África

Rio – A fotografia foi a ferramenta que ela usou para conhecer e se encantar pela Guiné-Bissau. Em plena guerra civil, a fotógrafa Virgínia Yunes pisou na capital do país, o primeiro da África lusófona a conquistar a sua independência, em 1973, para uma pesquisa. Hoje, dando continuidade ao seu trabalho, ela lança uma campanha para reencontrar de pessoas que ela fotografou.

– Assim que terminou a guerra, no ano de 1999, fui convidada retornar e trabalhar com ajuda humanitária para a CARITAS e, meses depois, a UNICEF me contratou como fotografa, prolongando minha estada na Guiné-Bissau por quase um ano – explicou a fotógrafa argentina que chama a sua campanha de Nunde ki stá? (Onde você está?, em crioulo).

No ano que passou lá, Yunes registrou muitos cenários, rostos e uma cultura riquíssima.  As idas e vindas possibilitaram a realização de muitas exposições e pesquisas.  Com a campanha  Nunde ki stá?, ela questiona: “Quais são os limites e as possibilidades do uso de um arquivo fotográfico, um caderno de viagem e as narrativas orais na construção poética-antropológica de uma história desassociada de sistemas de poder?”.

virginia 2A pesquisa de doutorado “O Direito à Vida: narrativas de memória pós-guerra na Guiné Bissau desassociada dos sistemas de poder” é desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, PPGAV/UDESC com ênfase na linha de pesquisa em Processos Artístico Contemporâneos. Hoje, mais de 15 anos depois, e ouvindo histórias de guineenses no Brasil, ela revisita seus arquivos fotográficos e estabelece um reencontro com o passado. As memórias de 1998/1999 associadas a atual familiaridade social com os guineenses, as discussões políticas e a presença de suas representações culturais permitem que ela sinta um reencontro quase cotidiano com o passado.

– Tenho a lembrança das pessoas distantes, que através da fotografia estabeleci laços de afetividade e intimidade cultural em situações de incertezas políticas. Onde estarão eles? Estarão ainda vivos, permaneceram em Bissau? Como reelaboraram suas vidas  após a perda de parentes, amigos, bens? Como rememoram esse passado num presente ainda instável política e economicamente? – questiona.

Foto: Virgínia Yunes

Yunes criou uma página no facebook, onde solicita informações para um reencontro presencial previsto para janeiro e fevereiro de 2016, em Guiné- Bissau. Ela pretende  reencontrar essas pessoas para entregar as fotos do  passado e registrar seus depoimentos, em vídeo e fotografia, numa perspectiva poética-antropológica.

Segundo ela, o percurso teórico desta pesquisa parte de conceitos contemporâneos de estudos culturais, pós-coloniais e de estudos dedicados às pesquisas em arquivos e memórias pessoais, história oral, e seus usos na arte contemporânea.

– Na arte contemporânea, os fotógrafos rememoram histórias não contadas, registram relatos que revelam diferentes lembranças e percepções, refletem, desta forma, a complexidade de uma determinada situação e a pluralidade de vozes marcadas por experiências individuais.

Participe desta campanha! 


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