Migração guineense foi tema de seminário em universidade do Ceará

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Foto: Danilo Biaguê

Por Rubilson Delcano, Por dentro da África

UNILAB: I Seminário de Sociologia Africana – Projeto Conexões África-Brasil – Proex/IHL/BHU

Palestrante: Iadira António Impanta

Migração Feminina: entremeando trajetórias e histórias das estudantes guineenses na Unilab

Redenção – No último dia 9 de outubro, a estudante Iadira António Impanta apresentou seu TCC intitulado “Migrações Feminina: entremeando trajetórias e histórias das estudantes guineenses na Unilab” sob orientação do Professor Doutor Carlos Subuhana. Esta apresentação se insere na atividade do Projeto Conexões África Brasil e Diálogos do Sul, que teve lugar no campus da Liberdade.

Em sua pesquisa, Iadira procurou compreender por que as mulheres imigram? Como constroem suas identidades e relações inter-étnicas na diáspora e quais as condições de possibilidades que emergem nas relações sociais com “outros”, particularmente na Unilab?

Iadira – Foto: Danilo Biaguê

Iadira partiu do pressuposto de que a imigração é um fato social e histórico do comportamento humano marcado pela sua trajetória em seu contexto social. “A imigração é viver com o presente e sonhar com o ausente”. Tomando como base o confronto dos lugares no imaginário dos estudantes guineenses, procurou responder as questões sobre o tema colocadas pelo público a partir de dados empíricos e das referenciais teórico-metodológicas que norteiam sua pesquisa.

Estudante Neimi – Embora seu TCC não discuta isso, gostaria de saber como você percebe atualmente a relação entre estudantes africanas e brasileiras na Unilab? Como brasileira, tenho algumas dificuldades. Porém, hoje vejo uma aproximação melhor com as meninas guineenses.
Iadira – O que você colocou é uma realidade, mas eu penso que esse estranhamento tem melhorado a partir de algumas ações de integração. Mas ainda há desafios de ambos lados.

Patimana – Foto: Danilo Biaguê

Estudante Petimama – Iadira, parabéns pela apresentação. Gostaria de saber como você encara a questão de tempo na socialização das meninas e dos meninos na África e no Brasil?

Iadira – Certamente essa questão é importante. Eu acredito que o tempo disponível influência o rendimento escolar. Por exemplo, no meu caso específico. Oriunda de uma família pobre, eu tinha que competir por melhores notas com filhos de ricos no colégio ao mesmo tempo firmar minha condição de mulher. Eu confesso que trabalhava muito e tinha menos tempo para se dedicar ao estudo em casa do que meus irmãos. Mas eu sempre lutei contra tudo isso. Essa questão também se coloca aqui no Brasil. É um desafio comum que precisamos modificar.

Prof. Leandro – Como lida com o fato de que você é objeto e sujeito da sua própria pesquisa e quais são as implicações dessa relação no processo de produção de conhecimento científico?

Iadira – Não tem como fugir que eu faço parte dessa trajetória, como acabei de mencionar. No entanto, procurei sempre manter um certo equilíbrio. Não é fácil, mas ac
redito que essa relação ao invés de prejudicar a análise dos dados, enriquece a pesquisa. Pode-se descobrir coisas interessantes. Eu procurei analisar meu objeto de estudo de um ponto de vista relacional.

Estudante Felisberto – Iadira, na Guiné-Bissau, as mulheres têm uma visão do “corpo mole”. Aqui no Brasil as mulheres têm uma percepção do “corpo rijo” ou malhado. Outra questão é o debate sobre cabelo. Por que as meninas africanas colocam cabelos de mulheres de pele branca?

Iadira – Felisberto, como Faran disse aqui, a identidade não é algo fixo. Então, eu posso usar esse meu cabelo (aplique) e manter minha identidade africana, a identidade guineense. É isso que eu penso. Você disse que quando sua filha crescer não será permitida colocar aplique no cabelo. Eu discordo. Eu penso assim, você pode instruir sua filha sim, mas nunca deve proibir ela futuramente de escolher um tipo de cabelo que ela deseja usar.

Por exemplo, Petimama falou aqui uma coisa importante sobre o “querer ser” e o “querer fazer” nas sociedades africanas, também extensivo as sociedades brasileiras. Eu penso que as mulheres, na África e no Brasil, querem ser elas mesmas. Porém, é bom que fique claro: a visão que se tem do que seja mulher na África e no Brasil é diferente. Por exemplo, existe, aqui no Brasil, a visão de que as mulheres devem assumir lugar do homem em casa. Eu penso diferente. Se, por um lado, pode levar a autonomia das mulheres na relação de gênero, por outro acaba sobrecarregando as mulheres.

Da esquerda para direita: estudante Neimi, Iadira,Prof. Ricardino e Leandro – Foto: Danilo Biaguê

Prof. Ricardino – Iadira, atualmente o tema imigração tem suscitado debate dentro e fora da universidade. Aqui na Unilab realizamos debate sobra a temática na atualidade. Como você encara isso nas relações entre o Brasil e a África, sobretudo no que tange à integração do Sul.

Iadira – Essa é uma questão interessante, mas acho que há desafios de ambos lados. Não tenho uma visão clara sobre esse assunto, mas devemos debater essa relação na Unilab para sabermos quais são nossos interesses e desafios comuns para além das especulações. Por exemplo, aqui mesmo na Unilab devemos procurar melhorar nossa relação. Não sei se respondi sua pergunta.

Prof. Ricardino. Respondeu e bem, muito obrigado.

 


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